quarta-feira, 18 de junho de 2014
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Tempo preenchido.
O tempo tem apertado. Tem sido ríspido, porque sabe que é para o bem. Ele também não me prende, e sim atarefa. E , as vezes até me atrapalha. Mas me tranquiliza por ocupar meu corpo, minha mente.
Tem um álibi que me ensina a viver.
A docência.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
O corte da saudade.
Faz a gente sofrer e viver.
Uma brasa no coração que queima lentamente e resseca os tecidos cardíacos.
Por vezes sufoca, seca, alaga, tritura. Mas a gente se acostuma e uma hora aprende a parar de chorar e aí, a ferida lá dentro vira um escudo aqui fora. Mas é um escudo humano que ainda sim, é frágil.
Brasa essa, que é faca de dois gumes, a saudade.
Entulho dentro da gente.
Tem dias que a dor aparece sem motivo. Ou talvez, os motivos sejam tantos que não dê pra distinguir de onde a dor emana. A gente não olha pra gente, não olha pra dentro, não vê as boas coisas que temos. Parecemos bichos escondidos com medo de alguém pisar, com medo de olhar pra frente. É um medo misturado com angústia que se embola com a falta de apetite e alimenta o desestímulo vital. Uns podem pensar que seja extremismo de nossa parte ou drama, mas não deve chegar a ser depressão. É só um momento da vida que nada dá certo e o tempo não parece ajudar.
Os desejos adormecem. As aves silenciam. O corpo estático. E o silêncio dá lugar ao pessimismo, negativismo e a falta de vontade.
Quando eu era pequena e me irritava com os trabalhos e coisas da escola, desejava ser um bicho qualquer pra não ter as preocupações humanas as quais me deparava. Chorava bastante até voltar à realidade e entender que eu tinha que enfrentar tudo aquilo. Não podia deixar um moleque gritar comigo e simplesmente chorar e voltar pra casa; não podia deixar a professora vir me humilhar porque eu tinha problemas com a matemática; eu não podia deixar que um namoradinho expusesse ciúmes extremos a ponto de fazer escândalos na rua; eu não podia... até que comecei a reclamar e fui parar na direção da escola e posteriormente em um consultório de psicologia. E foram dias muito bons. Eu sentia que ela me entendia como ninguém e não parecia me julgar (pelo menos não demonstrava). Foi uma grande amiga durante a adolescência. Uma fase que eu só precisava de alguém que pudesse me escutar e foi quando eu aprendi a escutar e olhar pra dentro de mim.
Aprendi o exercício de olhar o lugar comum por um outro ponto de vista e que naquela época, estava em transformação dentro de mim. Meus sentimentos foram sendo esclarecidos e fui aprendendo a ter paciência para resolver meus problemas. E a cada dia enriquece meu coração. Me instiga nos meus sentidos a contemplar o que está além, viajando para dentro de um lugar, de mim, do outro. Mas ainda tenho muito o que aprender, principalmente sobre minha família, sobre o que está perto.
sábado, 31 de maio de 2014
quinta-feira, 22 de maio de 2014
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Águas do céu.
Afogam-se de poesia as chuvas aqui pras bandas de Belém do Pará. Por vezes é triste, melancólica, esmorecida causando até um certo receio e um bocadinho de dor no peito, mas quando bem observada transforma-se num tesouro reluzente, cheia de amor na responsabilidade pelo refresco, bem-estar e marcando os encontros dos amantes.
Exala um cheiro forte de folhas molhadas e quintais adormecidos de lembranças infantes. É sempre inspiradora e serve de desculpas para se esquentar.
Na janela do meu quarto, os dias de chuva são quadros cotidianos poéticos. Tem biqueira, blues, gatos, uns amigos libertários e um peixe solitário. E a noite, não se faz de rogada, surge e logo anuncia madrugada. Embriagada, enebriada, encabulada, descortinada!
Por vezes, me vejo chuva!
Chega logo!
A ventania alí na frente anuncia o tempo bom. Talvez traga estragos, sujeira e destruição.
Mas depois de qualquer vendaval , vem a reconstrução , o renascimento, a purificação interior.
E que venha o recomeço de cabeça erguida, e que a estrada adiante aguarde com espinhos necessários para este novo ciclo.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Dos conselhos para seguir.
"Diabos, precisamos de humor, precisamos rir. Eu costumava rir mais, eu costumava fazer tudo mais,
exceto escrever. Hoje, escrevo e escrevo e escrevo, quanto mais velho fico mais escrevo, dançando
com a morte."
Charles Bukowski
exceto escrever. Hoje, escrevo e escrevo e escrevo, quanto mais velho fico mais escrevo, dançando
com a morte."
Charles Bukowski
Aí ele disse:
"Cansei de ser gato malhado de preto e branco, comi a tinta de cabelo da mamãe e fiquei rosa. Tô lindo?"
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Mais uma primavera para a coleção.
Até o google me desejou feliz aniversário, gente! Hahaha
A Lua transita pela Casa 7, enquanto que o Sol se encontra na Casa 13, entre os dias 22/04 e 02/05. A sua sensibilidade estará também mais ativa, de modo que neste período há o risco de você ter reações um pouco exageradas a determinadas coisas que em outros momentos sequer lhe incomodariam.
Não é um dia comum e nem tão especial. Eu já tava passando do tempo porque a mamãe queria me ter em parto normal, quando o médico achou que era hora, já que eu não tava afim de vir a esse mundo.
Já cheguei atrasada, sou um pouco lenta talvez por isso,( ê! nada a ver.) E eis que aqui estou com 27 outonos, 54 kg, desempregada, sem filhos humanos, dois gatos pra criar, nenhum livro escrito a não ser o tcc e morando ainda na casa dos pais.
Um tanto deprimente! Pelo menos pra mim que sempre pensei que entre os meus 25 e 30 anos eu já estaria morando sozinha, concursada, naquele emprego mais ou menos. Mas, como a vida da gente nunca é um mar de rosas, passamos por coisas que tendem a amadurecer a gente. Nessas quase 3 décadas tenho histórias boas, coisas ruins, coisas estranhas. Amizades duradouras da adolescência, outras que perduram desde a infância e outras que não duraram muito, vieram e ficaram o tempo que precisaram, depois foram embora. Já conheço alguns lugares pelo Brasil e morei em alguns interiores. Já passei alguns apertos e já chorei bastante por isso.
A criação que recebi, me mostrou que eu precisava lutar pelos meus objetivos buscando os desafios sempre. E foi nesse mar de rosas que a necessidade me fez debater os braços e pernas até aprender a nadar. Acho que aprendi. Me feri um pouco nos galhos, pedras e espinhos, mas cicatrizaram com o perfume das pétalas e frescor da água. E em determinado tempo, percebi que aqueles arranhões e feridas, já estavam "saindo na urina", como declama minha avó.
E como mesmo sendo meu aniversário, o universo não poderia deixar de me sacanear, porque sei lá, deve ser a lei de Murphy. TEM que acontecer. E acordei às 7horas da manha com uma carro som morto de escroto no canto da rua de casa, botando pra quebrar com uma aparelhagem pirenta velha me deixando um tanto mau humorada e me tirando da cama antes do que eu planejava. Fui tomar um banho e acabou a água. Presentão de aniversário.
Fora isso, as mensagens pelo FB estão me animando.
Cheia de sorte desde 1987.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Hora pra comer e gozar, a gente quem escolhe.
Quando não
tem lugar apropriado, qualquer lugar com jeitinho fica arrumado,
principalmente quando os
corpos estão quentes, fervendo, borbulhando em tesão. As segundas, terceiras
intenções são sugeridas com olhares malinos. Olhares de fogo. Inquietos. E é melhor aproveitar porque
outras oportunidades talvez não mais surgirão.
Era uma dessas noites úmidas de Belém. Voltávamos de algum bar e ele me
acompanhava até a parada de ônibus. Pouco movimento na rua
deserta, que nos convidava à noite. Em pé, sentados ou escorados, em qualquer
posição.
Estávamos
na Magalhães Barata. Nos abraçamos um pouco esperando o ônibus,
enquanto o calor aumentava, mas a entrada pro prédio dele é na nove de janeiro e estava bem próximo. Foi aí que me sugeriu algo. Li nos olhos a ânsia pelo coito. E
aceitei!
Entrando
na portaria, ele disse que o ap tava
cheio de gente, mas que poderíamos dar um jeitinho pelo banheiro. Sugeri então a escada e ele
disse que ninguém usava, endossando que era um ótimo lugar.
Não tivemos cerimônia. Nos empurramos nas paredes e passamos muito tempo
num beijo gostoso, molhado com as línguas eletrizadas que ora passeavam em
nossas bocas, ora nas bochechas, orelhas, pescoço e retornando até boca. Nossas
mãos frenéticas vasculhavam-nos. Ele em meus mamilos, dorso, pernas. Eu em suas
costas, braços e falo ereto.
Sentou-se no degrau, me puxou pro seu colo e eu me sentei o mais aberta
que pude. Estava de vestido curto e calcinha molhada. Pude senti-lo fortemente roçando-me
a púbis. Tiramos nossas roupas enlouquecidos. Puxei meu vestido por cima.
Ele tirou a camisa e abriu a braguilha. Me levantou pelas pernas, e me carregou
enganchada, me pressionando à parede. Mostrou-me o caralho pulsante, escuro,
torneado e brilhante alí com fome e sede.
Me chupou os seios endurecidos enquanto me segurava fortemente à sua
cintura. Me escorou no degrau e deitou-se no chão. Pediu para que eu lhe
esfregasse a cona em sua boca. Me vi em êxtase! Estiquei as pernas, e em pé fiquei
parada olhando-o me desejar, enquanto tirava a calcinha o vi compenetrado
entre minhas pernas. Sentei!
Tremi toda quando senti a língua dele ir fundo. Senti a aspereza das
cerdas passeando, massageando com a língua endurecida, ia até o clitóris, parava,
chupava e descia até entre meus grandes lábios. A barba suja
mergulhada na minha carne, degustando meu mel. Me apertava os seios, com aquelas mãos enormes que me dominavam,
eu estava impotente, não adiantava tentar nada. Era ele quem me conduzia.
Dentro de mim. Em seu paladar.
A
adrenalina aumentava toda vez que ouvíamos o barulho do elevador que dava de
frente para a porta da escada. Nos mantivemos calados e suados.
Não hesitei
o desejo de prová-lo também. Pedi-lhe um 69. O prazer múltiplo. Acariciei,
beijei, lambi, chupei com vontade, mordi levemente, apertei, esfreguei. Enfiei
na goela. Rodopiei todo em minhas bochechas. Percebi cada veia pulsante, a
pele esticada, sangue arquejante daquele falo imponente, atlético, carnudo,
cheio de poder e eloqüência, desesperado e nobre pedindo a mim.
Senti-me
totalmente preenchida, suspensa no ar, cheia de paixão desde o ventre até a
alma. Senti um arrepio repentino gelado e quente ao mesmo tempo. Uma sensação
que não sabia ao certo de onde surgia, percorria meu corpo até a garganta e
percebi que ia gozar. Um orgasmo cem por cento genital e visceral, que vinha das
estocadas fortes da língua dele e que eu simplesmente não podia conter. Então
lhe disse que eu ia gozar. E ele continuava mais forte que me fez retorcer toda
e ele soltou um urro forte que me lambuzou de prazer. Senti seu leite quente no
rosto. Gozamos violentamente juntos com espasmos grudados um ao outro, que nos
desequilibrou. Perdemos as forças e nos jogamos para os lados, no chão.
Senti todo
meu corpo formigar. E ficamos alí, jogados por um tempo, semi-mortos. Sujos de
suor, saliva e de nossas essências. Vestimos nossas roupas e saímos da escada.
Pra nossa surpresa, já era dia.
Ele me
levou até o apartamento dele pra eu tomar um banho e um café, depois
me acompanhou novamente até a parada da Magalhães Barata.
Nos
despedimos com um beijo e um até logo na expectativa pela próxima vez.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Coito e ruídos escondidos.
Foto da net.
-Enfia vai! Ahhh...
-Hummm... Vem!
-Vira agora!
-Grummm...
-Xiiiiiiiiiiiiiii!
-Ai amor, esfrega mais vai. Hum...
(Roc roc roc roc).
Os pés da cama arranhavam no chão enquanto ele impulsionava seu corpo sobre o meu, fazendo um barulhinho indecente em volume mediano. (Vrummvrum) O ventilador virado para a parede e a televisão ficavam ligados em volume baixo para disfarçar os gemidos incontroláveis.
Minha anca empinava-se, meio quebrada, ansiosa, aguardando em posição de defesa. De jeito a propiciá-lo o movimento de remo, lento.
Sussurros ao pé do ouvido. Lambidas na nuca. Leves mordidas. Tesão.
Sussurros ao pé do ouvido. Lambidas na nuca. Leves mordidas. Tesão.
Indiscretos e sem pudor, abusamos da liberdade do fogo. Ardendo, dentro um do outro. Mastigando, vasculhando os dedos, língua, pele, suor, misturando com aspereza e devassidão. Entrando e saindo. Calmos e epiléticos. Maldosos, trocando pés pelas mãos em conversas sem versos, sem nexo. Cheia de prazer.
Rápidos e lentos.
Me enche de poder enquanto me cheira, me abraça e beija-me todo o dorso.
Me enche de força ao sucumbir-se por entre meus grandes lábios.
Me enche de tesão o macho alinhado, tensionado sobre mim.
Puxava-me os cabelos com uma mão e com a outra acariciava-me o clitóris. Aplaudia-me por entre as pernas. Me incendiava. Me puxava selvagemente. Me fazendo babar compulsivamente.
O barulho é abafado entre lençóis.
Entre carnes o atrito. Escorre o calor. Escorrega, suspira, espera.
Entre carnes o atrito. Escorre o calor. Escorrega, suspira, espera.
Minhas pernas enlaçavam-se por trás dos tornozelos dele. Segurava-o.
... três segundos para o auge e...
Às oito horas da manhã.
(Toc toc toc) - Filha.... acorda! Preciso da tua ajuda aqui.
( Puta que pariu! ) Pensamentos conjuntos.
- Já vou mãe! - Voz ativa e espirituosamente acordada.
Espirra apressadamente a porra toda. Zonzo e suado, sai de dentro de mim, já amolecido e assustado!
É como um banho gelado, que deixa a gente mofino, estagnado, apreensivo...
( Será que ela escutou? )
terça-feira, 15 de abril de 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Amanda Ribeiro.
À minha queridona.
Dia 15 de abril poderia ser um dia bem especial. Daqueles que eu te ligaria pra te dizer que eu tenho saudades das nossas tardes na universidade, daqueles cafés com tapioca que rolavam lá no nosso kit-net, das fofocas que nos faziam rir muito, daqueles almoços improvisados por ti, pela tua mãe, pelo Mário e pelos teus irmãos lindos Aldo e Aldy, ah... Eu te ligaria e talvez marcaríamos alguma coisa pro meu aniversário que é daqui a quinze dias, então eu beberia a minha cerveja e tu, um suco. Falaríamos de coisas felizes, planos e experiencias de profissão.
Poderia ser um dia comum até, um dia qualquer. Eu e muita gente gostaríamos. Seria um dia de reencontros e sorrisos, mas não é. Esse 15 de abril relembra um dos momentos mais infelizes da minha vida, me traz uma ferida mal cicatrizada, chorosa e cheia de dor. É um dia que ninguém quer ter, muito menos relembrar. Poderia ter sido apagado do calendário e das nossas vidas.
Há exatos quatro anos que já não estás mais presente, não do jeito que eu gostaria, entretanto o teu lugar aqui na terra é sempre guardado com muito carinho e cuidado, e até mesmo as pessoas que não te conheceram pessoalmente sabem o ser maravilhoso que fostes, só por falarmos de ti e dos momentos bons que passamos ao teu lado. Cada um de nós fomos felizes por ter convivido contigo, saiba disso.
O tempo por aqui têm passado depressa, mas tenho a sensação de que parece pouco tempo, pois a tua ausência ainda é latente e angustia. A tua falta será sempre uma cicatriz aparente que não pára de doer e te sinto por perto, de alguma forma. É como se fôssemos nos encontrar a qualquer momento na rua.
Sempre penso em como seria se estivesses por aqui; o que farias, como estarias, o que falarias... Sempre penso em ti, Amanda. Foste umas das grandes responsáveis por me tornar o que sou hoje. Sem saber, me entregaste a responsabilidade e a força para eu continuar estudando até me formar em letras, porque era um sonho mais teu do que meu.
Quando penso nesse dia, ainda é difícil entender, aceitar, acreditar que tu foste daqui. Por quê? Por quê tu?
Sabes que eu nunca fui religiosa e implicavas muito por causa disso. É que na minha cabeça não é claro que alguém tão cheia de saúde e tão jovem pôde ir embora da terra e simplesmente não voltar mais. Foi um pedaço arrancado sem pedir licença mudando toda uma rotina, destruindo expectativas, descontrolando os passos, perturbando. Eu jamais vou entender.
A tua falta é visceral e as lembranças de ti são essenciais para que a vida por aqui prossiga. A saudade tem apertado tanto o peito e é difícil lembrar de tudo isso sem derramar uma lágrima. Talvez, algum dia eu consiga.
Mas hoje não quero lamentar. Quero agradecer por eu ter tido a oportunidade de aprender em tão pouco tempo contigo! Te agradeço infinitamente por tudo. Por ter feito parte dos meus aprendizados em Vigia, das minhas angústias e alegrias. Dos meus pensamentos e objetivos malucos. Por fazer parte hoje e sempre do meu ofício e obrigações em sala de aula. Obrigada pelo tempo que passamos juntas, tu me ensinaste tanta coisa bonita. Obrigada pelo carinho, pela compreensão, pela ajuda de sempre, pelas palavras tão cheias de amor e compaixão. Obrigada pelas conversas sinceras, pelos dias de trabalhos cansativos. Obrigada por teres aberto a porta da tua casa, da tua família, do teu coração. Obrigada por sempre fazer parte da minha vida.
E perdão querida , mas ainda não sei guardar as lágrimas enquanto falo de ti.
Um beijo bem forte e apareça sempre que puderes.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Lá, o céu encanta
Xingu, outubro / 2013.
Canta o Rio que encanta,
O céu que faz o mundo parar.
Só sabe quem enxergou as belezas de lá.
As cores se confundem, se iludem no horizonte
consolando pensamentos vazios
que faz até chorar.
Mas é o Xingu que ajuda a calar,
o coração.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Sobre utilizar o tempo livre.
Guardo no bolso os trapos soltos, jogados no lixo.
Escolho,
crio, refaço...
Emendo os pensamentos jogados pelo quarto.
Faço, desfaço medidas
corto e costuro.
Surge a poesia.
Dos trapos,
surgem bolsas, roupas, cabelo de boneca...
Dos bolsos,
saem recortes de poesia.
A máquina de costura
é mágica.
Realinha meu tempo.
E me faz pensar.
Post Scriptum: Reutilizando materiais e renovando a criatividade e estilo.
sexta-feira, 21 de março de 2014
Tenho fome.
Senti um desejo ácido
de poesia crua
acompanhada de um bom vinho ou cerveja gelada.
Fui procurar...
Achei um caminho de versos fritos,
Não deu outra, devorei!
Saciei o desejo, mas a fome de poesia...
continua latente.
quinta-feira, 20 de março de 2014
quarta-feira, 19 de março de 2014
Tenho comigo aqueles desentendimentos internos.
Me acompanham na dor e no amor aquelas vielas sórdidas cuspidas pela vida. Estão vestidas de desejos e caminhos.Aparecem assim como um tal de querer e não querer que faz a mente parar e não pensar. São pensamentos difusos que deixam a cabeça borbulhante que sacode em um desvairismo atordoado sem direção. O tempo parece dar um tempo,mas logo volta apressado.
Será que os sonhos deixam a gente assim?Ou é só uma fase da vida sem sonhos?
Chego a perder os passos e perder o caminho. Tropeço, caio adiante e levanto. Tomo jeito. Não recuo e sigo.Manco um pouco e me arrasto para o próximo passo infalso para explorar o ambiente desconhecido.
Talvez seja hora de virar a página.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Sem eira nem beira, mas com carteira.
Das muitas coisas que eu desejava desde pequena, hoje consegui uma delas. Passei no exame de direção e consegui a minha tão suada carteira de habilitação. \o/ Finalmente!
É que meu pai sempre me prometeu que quando eu atingisse 18 anos ele me daria a carteira. E eu , sempre sonhei com esse dia. Mas ele sempre deixava pra lá, ou por causa da grana ou por medo, talvez. (Ele pensa que eu vou enlouquecer, beber todas e dirigir.) Eu não sou louca né gente?! Ainda tenho amor à minha vida. Mas tudo bem,hoje aos 26 anos pude concretizar meu desejo.
Estagiei em duas escolas nos anos de 2011 e 2012 , guardei o suado dinheirinho para esta bendita habilitação. Tive alguns problemas. Usei uma parte da grana, mas ano passado pude pagar e fazer as aulas. Só que com a minha mudança para Altamira, não rolou naquele momento.
Hoje, antes de ligar o carro na hora do exame, pensei forte : "Eu quero, eu vou conseguir." E consegui! Me enrolei um pouco na hora de estacionar, fiquei nervosa, mas ao contrário do que muitas pessoas pensam, não precisei pagar para passar no exame. E eu nem pagaria. (Acho um abuso , inclusive. ) O examinador foi até gentil. Falava o que eu devia fazer, o que me tranquilizou. Posso ter tido sorte ou ele viu que eu não tinha cara nem jeito de ryca. haha
***
A gente acha às vezes que certas coisas estão tão distantes da gente né?! Podem até estar, mas se a gente não se movimentar e correr atrás daquilo , as coisas vão estar distantes e vão ficar mais longe ainda.
Minha vida não está lá essas coisas também. Desempregada, sem indicações, poucas oportunidades... mas se eu não for atrás, ninguém mais poderá ir por mim, ora!
***
Essa semana, fui à duas entrevistas de emprego. Fiquei muito nervosa , mas enfrentei. Fui de garras afiadas para não deixar o nervosismo aparecer. Me camuflei de menininha e mostrei que eu podia fazer qualquer coisa. Acho que convenci. Agora estou a aguardar os telefonemas.
***
Essa semana também, um poeta querido, Cláudio Cardoso me ligou para pedir meu e-mail, (já que eu desativei o facebook isso é história para outros papos de boteco ) para mandar-me o convite para participação em um livro de crônicas para comemoração dos 400 anos da cidade de Belém que ele está projetando. Serão 20 escritores, entre eles 10 conhecidos e 10 desconhecidos. E eu aceitei. CLARO!. Olha que lindeza!
***
Hoje, o outro anjinho felino que estava abandonado por aqui pela rua de casa, apareceu pra mim. E não deu outra, eu peguei. Abriguei , dei leitinho, comida, manta quentinha e o meu coração. Agora tô aqui, uma mãe que não cansa de olhar as crias.
***
Ah, tive outra notícia boa hoje. Meu namorado conseguiu uma vaga pelo sisu na UFRA, no curso de Licenciatura em Computação. Depois de algumas tentativas em cursinhos e provas de enem etc. Ele não desistiu , correu contra o tempo para chegar na Universidade hoje, driblou o engarrafamento , lutou para que nenhuma documentação faltasse e conseguiu a vaga.
Veja bem se não tenho motivos para comemorar hein?
Um(as) cervejas, por favor! =]
Um(as) cervejas, por favor! =]
segunda-feira, 10 de março de 2014
sábado, 8 de março de 2014
Sonhei com um anjo, e o anjo apareceu.
Essa noite sonhei que alguém me oferecia gatos. Eram três bichanos e todos adultos, estavam dentro de um saco grande, que por sinal, achei uma judiação os felinos estarem alí, espremidos. Todos muito lindos.
Mesmo sabendo que minha mãe não aceitaria, no sonho eu pegava um, mas querendo pegar todos. Ele era rajado e cinza, e estranhamente parecia um siamês.
O engraçado é que todas as vezes que sonho com gatos (que não são tantas vezes assim), eu tenho o costume de jogar no bicho e sempre dá gato na cabeça, mas eu nunca ganhei pelo motivo de nunca jogar nos horários certos. Geralmente jogava em um jogo das 11h para concorrer , mas só dava gato na cabeça no jogo das 14h ou 17h. Uó!
Mas sim, voltando ao sonho, só lembro dessa parte.
Mas sim, voltando ao sonho, só lembro dessa parte.
Quando acordei de manhã, enquanto tomava café, meu pai veio e disse que tinham dois gatinhos abandonados no campo que tem na esquina de casa. Logo comentei do meu sonho e uma vontadezinha de ir lá vê-los.
Terminei o café e tomei um banho para em seguida fazer uma aula de direção no carro com meu pai. Quando terminou a aula, entrei em casa e do meu quarto comecei a ouvir os miados desesperados de gatinho pequeno. Não deu outra, abri o portão e fui atrás dos miados. Passando uma casa depois da minha, achei o pequeno abandonado, que deve ter lá pelos três meses. O bichinho tava tão assustado, correu me driblou mas eu consegui encurralar ele no muro e peguei. Ele é branquinho com umas manchas rajadas pelo corpo. Procurei o outro órfão que meu pai havia falado, mas não o encontrei.
Não tive outra reação a não ser levar o anjinho pra casa avisando à minha mãe:
-Olha o que eu encontreeeeeeeeeei!
- O quê?? Tu não encontraste sua moleca. Tu foste foi buscar ISSO!
Eu, enquanto amante de animais e de gatos não ia deixar o pequeno , depois de ter sonhado com ele, na rua né?!
Agora ele tá aqui, fazendo companhia, dividindo a cama comigo e me divertindo.
Agora ele tá aqui, fazendo companhia, dividindo a cama comigo e me divertindo.
P.S: Depois posto uma fotinho dele aqui.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Lamentações e blah blah blah...
Sabe quando as coisas estão uma merda só? Nada funciona!
E não não há bebidas, cigarro, rock and roll, cinema, compras desnecessárias ou companhia que dê um jeito na minha mente quando tenho que ficar sozinha. Nada do que eu faça consegue limpar os pensamentos que invadem minha cabeça na hora de dormir, na hora de acordar ou na hora em que eu tenho que viver. Porque, né, a gente tem que viver 24 horas por dia mesmo... Não é bem o que eu quero, mas é o que tem pra hoje. Até pra escrever tenho andado infértil. Não tá fácil.
Desemprego tá me deixando muito deprê. Não tenho ânimo pra quase nada.
Pra piorar tô em um momento estúpido de TPM em que a feição já não é das melhores e nessa fase é triste. Aí meu namorado fica tentando me animar. Um amor, mas coitado. Acabo cagando na cabeça dele. Não tem nada a ver, o pobre. Só dou aquele beijo bem rápido, seco, sem língua. E ele meio sem graça, sem entender nada e sem saber se fez alguma coisa errada , ainda me pergunta: Tá tudo bem? A resposta é simples e seca: Tá!
Não satisfeito, ele ainda tem coragem de emendar um 'Tem certeza?, que é respondido mais friamente com um rosnado baixo e cavernoso 'teenhoo.'. Aí, como ele é um fofo, consegue perceber que eu não tô muito a fim de papo, me deixa quieta e fica no computador conversando com umas menininhas amigas dele , pelo facebook . ( O que me faz me matar mais ainda, por dentro.)
Desnorteado, ele pede o pinico e sai. Tenta dar um beijinho de boa noite e quase leva uma mordida.
Tadinho. Isso é PROVA DE AMOR, viu?!
Enfim, é melhor mesmo EU FICAR NA MERDA UM POUQUINHO, porra! Acho necessário. Eu sou uma cagona!
Não dá pra viver o tempo todo feliz mesmo né?
"Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras coisas."
-
Recortes.
Ontem passamos a tarde, eu e meu namorado, fazendo um quadro novo para o meu quarto. Na verdade, refazendo o quadro que eu já tinha feito com fotos de revistas variadas há uns três anos atrás mais ou menos. Mas dessa vez, as fotos eram de um livro só que ganhamos. Imagens lindas e que pensamos logo em aproveitar para deixarmos aqueles recortes à vista, para que nós e nossas visitas pudéssemos contemplar, porque afinal de contas, um livro como aquele, não poderia ficar escondido em um canto qualquer da estante, empoeirado.
Com aquele reaproveitamento, algumas coisas imediatamente modificaram. Seja a nova vista, seja nossas ideias e o nosso prazer em modificar coisas pequenas do nosso dia-dia. Novas fotografias , outros rostos recortados prontos para enfeitarem a parede e nossos sonhos. Acredito que a vida seja feita de recortes, cheia de pessoas encantadoras, fatos especiais, imagens que nunca serão esquecidas, boas, ruins, surpreendentes, fatos curiosos...
Para o quadro, escolhemos imagens lindas e perfeitas, mas não sabemos nada sobre aquelas pessoas a absolutamente nada. Não sabemos de suas origens, de seus conceitos, de suas famílias e histórias de vida. E ainda sim iluminaram nossa vontade de mudança.Na vida, volta e meia nos encontramos com "recortes" variados. Recortes de pessoas significantes ou não. Algumas passam sem tocar em nós, outras tocam apenas com uma palavra.
Certa vez, um vendedor de bombons em um coletivo por Belém , perguntou minha idade. Na época, eu tinha vinte e três. O vendedor então, disse-me que se nessa idade eu havia tido felicidades, nos meus 2 vinte e quatro iriam redobrar. Fiquei feliz, porque ele nem me conhecia e eu nunca o tinha visto, e ainda sim desejou-me tão bem assim. Mas eu pergunto, precisa conhecer alguém pra desejar o bem?!
Mas alguns desses "recortes" humanos vão embora de nossas vidas, às vezes por necessidades, às vezes por situações desconfortáveis, por vontade própria ou não. São inúmeros os motivos. Infinitos os argumentos que cada um de nós temos diante de nossas próprias convicções. Os caminhos variados nos levam ao afastamento daquele grupo de amigos de uma época descompromissada juvenil e que parecia só importar os amigos.
A cada novo quadro, a cada nova aproximação, colagem, amizades, o amadurecimento humano tende a melhorar. Sempre é hora de mudar para melhor convivência, melhorando relacionamentos. Mas não é motivo para jogar fora o quadro antigo. A armação para sustentar as fotografias ainda está alí, na parede do meu quarto.
Cada um de nós temos um quadro que modifica a cada momento na vida. Seja por nossas escolhas ou não.
Cada um de nós temos um quadro que modifica a cada momento na vida. Seja por nossas escolhas ou não.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Acidez.
Retrato http://www.lupompoar.com.br/
Madrugada adormece e viajamos colados.
Nus. Aprisionados. Como um só elemento de desejo.
Desperta-me com um beijo na nuca , apalpa-me o dorso, as coxas, desliza sobre mim sua fome e peso dos sonhos sujos. Eleva minhas mãos entontecidas a rastejar-lhe a pele quente entre pêlos avulsos, arrepiados, o falo ofegante que escuma.
Abre minhas pernas sutilmente, arrastando os dedos macios topando meu tecido, encontrando cicatrizes, algumas novas ou antes nunca percebidas, vasculhando calmamente como quem procura um grão de areia qualquer, ao acaso.
Examinamos nossos corpos de olhos ainda fechados. Os murmúrios apetecidos aparecem. Um desespero contido inicia. Posiciona-me aos poucos a sua frente. Ilumina-me ponto a ponto com mordiscadas leves descendo a anca , tracejando com o palato o caminho molhado até a vulva. Desfila as cerdas que eriçam os orifícios urinário e genital, almejando meu suco. Não se contentando em me ver gemer em desespero, endurece a língua e cutucando meu clitóris em movimentos circulares abre-me os grandes lábios e chupa com voracidade. Apóia suas mãos aos meus quadris, eleva-me as pernas flexionadas sobre seus ombros enquanto me tortura com as lambidas e chupadas incansavelmente purificadoras e relaxantes, fazendo sair um calor que me faz lagrimar, retorcendo meus músculos com força, involuntariamente agarrando ele a mim. Devorou e irritou o clitóris até inchar levando-me às alturas, enfiou mais um pouco a língua no canal vaginal me fazendo conhecer e reconhecendo o ponto G, com a acidez daquela saliva que me obrigava a implorar para que não parasse até que a respiração ofegante, cansada, desesperada, anunciou... o sul de lugar nenhum. Meu orgasmo.Agora todo em sua boca. Meu sorriso.
Me consome completa. Me deixa sem fala, sem fôlego cheia de felicidade. Deliciada. Desejada. Mulher.
Ele é o meu deus, na cama e nos pensamentos. Sabe dos meus caminhos, dos meus anseios, da minha porta de entrada. Entra com elegância e cuidado. Ama a mim e meu clitóris. Resfria e aquece meu interior com beijos.
Teimo que a paixão é alimento que surge dessa massa, entre as pernas ou através de um abraço. Ultrapassa sensações, transcende o universo, o espaço e o tempo, enquanto deslizamos o olor dos corpos um no outro, sentido a carne, o sabor ousado encontrado por tantas outras vezes entre nós e não menos atormentante.
A fé, a sede, os nervos saciam corpos alcançando a leveza dos mares.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Já não tenho tempo.
"Contei meus anos e descobri
Que terei menos tempo para viver do que já tive até agora
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de jabuticabas
As primeiras, ele chupou displicentemente
Mas, percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades
Inquieto-me com os invejosos tentando destruir quem eles admiram
Cobiçando seus lugares, talento e sorte
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas
As pessoas não debatem conteúdo, apenas rótulos
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos
Quero a essência.... Minha alma tem pressa....
Sem muitas jabuticabas na bacia
Quero viver ao lado de gente humana...muito humana...
Que não foge de sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade."
Rubem Alves
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