segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Lá fora.

Desamarro os pés da porta,
desenho um sorriso mal feito com batom em um tom carmim
ilumino a rua.
Faço , desmonto
e me acho
No braços da lua .

Eriçada,
de saia curta vermelha, camisa colada, salto elegante
procurando o macho certo
saudável, forte e capaz de si.

Iluminada, amostra da carne
cheirando um cio ácido.
um calor molhado.
garganta seca.

Mãos inquietas,
Entre as pernas passeiam
Endurecem, amolecem, entram, saem
dançam, rodopiam na vulva dilatada.

Os grandes lábios roxeados enrijecem
incham , formigam,
animam-se
sozinhos.

Silêncio!


É lua cheia.







Drumonddiando.



Chegando fim de ano e todo mundo estressado e ao mesmo tempo contente com toda essa folia de fogos, bebidas, comidas. 
Na verdade, a gente só vê o povo pensando em pagar as dívidas e se endividando mais , pensando nos presentes dos amigos ( invisíveis, visíveis, da onça , de longe , da baixa da égua) pra comprar, para assim pensar que deixam todos felizes. Muita comida, muita estragação, muito inferno  e quase nada de reflexão, afinal todos estão muito ocupados preparando suas ceias , enfeitando suas casas, correndo pra que tudo saia do jeito que acha que deve ser: família reunida , mesa farta, presentes. E todos sabemos que sempre será uma noite regada de hipocrisia, gente fazendo as pazes, gente fingindo que reza, gente chorando , gente bebendo até não querer mais, gente insatisfeita com seus presentes, gente reclamando da vida. 
FODA-SE o natal. Acho que eu só fui feliz nessa época, quando eu era bem moleca quando  eu ainda acreditava no velho do saco vermelho e ficava contente e vibrante com os presentes que iria receber. 
Essa data só me trás tristeza, me lembra a ambição e consumismo que somos alimentados.

Drummond é sempre presente nessa sociedade de tempo esnobe. Está presente nossos dias como o Deus criador das palavras.

Os Ombros Suportam o Mundo.
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Só amor.



Minha nova filha. Shiva.
Abandonaram ela e mais três irmãozinhos na rua de casa, mas encontrei apenas dois deles. Uma, eu consegui doar, a outra contaminou meu coração de amor e não consegui entregá-la a mais ninguém. 
Agora ela tá aqui. Divide a cama comigo, me faz caducar com as peraltices de criança. 
<3 div="">

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Meio sei lá.

Tenho andado baqueada das ideias. Cabisbaixa, embasada , jururu mesmo. Acho que é esse tempo de final de ano, sabe? Pra mim, é a época mais triste do ano. Não gosto.

Enxergo a cidade numa tristeza só. 
Sujeira pra todo lado dentro da violência que piora. 
Gente abandonada nas ruas. Animais confundem-se com bichos em lixos na feira.
Mais um ano que se vai e nada muda. 

Os costumes são os mesmos.
As pessoas estão muito preocupadas em pagar contas e fazer mais dívidas. 
Afinal é natal. 

Mas é Natal pra todo mundo?


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Sobre presente do ano.

Este ano de 2014 tive entre tantas alegrias para compartilhar, o inesperado convite do querido poeta Claudio Cardoso para participar com uma crônica para a I ANTOLOGIA DE CRÔNICAS - BELÉM 400 ANOS. 
Fiquei muito feliz pelo convite e confesso que em primeiro momento , não me achei capaz para participar. Primeiro porque entre tantos escritores desta terra, renomados e cheios de poesia achei injusto para com eles, afinal meu tempo de escrita é pequeníssimo perto dos grandes autores deste estado. Segundo porque eu nunca havia escrito uma crônica, o que me deixou mais descrente ainda dos meus escritos, que sinceramente, acho uma arte das maiores aos que escrevem com tanta naturalidade este gênero. 
No entanto, refleti que para este trabalho não houve concurso, não burlei fila alguma , nem comprei um espaço para que eu participasse. Pelo contrário, EU HAVIA SIDO CONVIDADA pelo grande cabeça deste projeto que é o Cláudio.  E foi então que minha crônica foi escrita com paixão e sedução que a nossa Belém traz consigo, nesses quase quatro séculos de existência. Assim como os outros textos de autores maravilhosos desta Antologia.
Nos retratos abaixo, estamos com a boneca do livro ainda, pois para esta Antologia até seu lançamento ainda faltam patrocinadores que torne este sonho concretizado. 



Sodré e eu.


Sodré, eu, Cláudio Cardoso ( Idealizador do projeto) e Maciste Costa (ilustrador da nossa Antologia).


Eu com a página da ilustração da minha crônica. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Ao poeta Raimundo Sodré.



Todos os dias temos pessoas a quem nos inspiramos, pessoas que nos fazem suspirar a vontade de viver e querer "copiar" o modo como elas prestigiam a vida, principalmente esse modo poético de ler situações do dia-dia.
Nessas minhas 27 estações, tenho os meus cantores favoritos, meus poetas, meus livros, meus filmes, meus amigos, meus alunos. Àqueles que teimo em dizer que são MEUS.  Não como objetos ou propriedades de meu ser. São mais que isso, são companhias valiosas e que a todo momento me fazem falta e me farão toda vez que eu me for ao longe. São pedras preciosas que me fazem mudar e enriquecer os pensamentos.

Hoje é um dia comum. E que aparentemente não teria motivo algum pra atirar o amor publicamente. Mas eu discordo daquela tradição de que a maioria dos seres humanos fazem homenagens aos seus semelhantes, no momento em que estes estão aniversariando ou pior, aos que partiram desta terra. Mas quero aqui, esbanjar esses sentimentos de gratidão e alegria por um amigo simplesmente fantástico.

Ele apareceu como aquelas pessoas que a gente conhece, mas que já faziam parte da nossa vida há muito tempo , sabe?! Pois é, o poeta Raimundo Sodré é exatamente assim.
No decorrer em um intervalo de tempo entre nossas datas de nascimento, teve um fato engraçado e bem curioso que nos uniu.
Minha mãe estudou com a esposa dele, há um tempo atrás no colégio Centro Auxílio. Se conheciam desde esse tempo. Porém, nunca mais tinham tido contato.
E em outubro de 2010, minha irmã conheceu o Sodré nas energias poéticas do arrastão do Pavulagem. Estavam juntos ligados por um amigo em comum deles, o Valber Gaia. O Sodré então percebeu as semelhanças daquela amiga da adolescência e começou a indagar minha irmã, sobre os assados e cozidos do passado da minha mãe, e tudo que ele perguntava , eram positivas as respostas. Foi então que concluiu que era filha de quem achava que era. 
Mas antes , no decorrer do arrastão, o Sodré já havia me avistado e também percebeu a semelhança escrachada minha e de minha matriz. Tanto que até  achou que eu fosse ela, mas pelo tempo passado e a lei da gravidade, entendeu que seria quase impossível. Ele até queria falar , mas tinha vergonha. E só depois, durante o show, na praça do Carmo nos conhecemos de verdade. Entre uma cerveja e outra, quando eu fui falar com minha irmã, o Sodré estava perto, daí nos conhecemos... E aquele quebra-cabeças todo, foi montado.

Desde então,  nossa ligação começou a ser intensificada. Nos encontrávamos e conversávamos sobre tudo um pouco. Ele se tornou meu professor de gramática, meu amigo, meu irmão, e se eu fosse crente em algo superior, me arriscaria a dizer que somos almas irmãs. Daquelas que complementam-se em terra.
Creio mesmo que temos uma ligação forte, que vai além da escrita estonteante que o Sodré desenrola e me faz inspirar a cada leitura, a cada palavra bem soprada ao vento que me traz poesia e sorte. Vai além da alegria e dessa vida. Vai para as artérias do coração e fica por lá movendo a gente. Alegrando a cada lua, a cada contato, a cada sarau, a cada abraço e a cada sorriso compartilhado. 






Post Scriptum: Aos amigos que quiserem conhecer as linhas deste poeta, taí o blog http://raimundosodre.blogspot.com.br/



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Minha cidade chorou.

05h:10  - Terça, 05 de novembro de 2014. 

Acordei sem querer para remediar e dar comida aos meus felinos. Olhei para a janela do quarto, clareando aos poucos, iniciando um dia soturno. Sem querer liguei a TV em um canal qualquer, mas não havia nada de interessante. Desliguei. 
Continuei sem sono. Liguei o pc e fui parar direto nas redes sociais. Muita notícia ruim. Desespero. Medo. Minha cidade chorosa. Meu país desenganado. 

Desliguei. 
Deitei incomodada. Não dormi.

Levantei.  Olhei a rua. Olhei o céu já claro. Senti uma angústia. Um choro preso. 
Senti que se minha cidade, meu país pudessem, mudavam de nome e lugar, com tanta tristeza amarga.
O sorriso da minha cidade não se vê. Têm semblante amedrontado, cabisbaixo, depressivo plantado no asfalto. Nessa madrugada, minha cidade disse que não iria aguentar,  e que é tempo de aflição. Chorei junto a ela. 
Fiz companhia à cidade. Fiz companhia para ela que tantas vezes me fez sorrir. A ela que já me acolhe a 26 anos e me ama como filha.
Compreendi seu silêncio. Sua dor. Compreendi o valor de sua memória, de suas lágrimas, de seu cansaço.
Apenas a abracei. 
Entendi que seu lamento também é dor humana. E que Cidade é gente. Belém é gente. Eu sou gente e também posso lhe acalmar. Mas hoje, apenas nos acariciamos, esperando o mal passar.


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Coração doente.

Dói. Sangra. Escorre por dentro. Transborda pelos olhos.

Esses dias me dei conta o quanto sou fraca. É uma fraqueza muda, solitária que não me deixa mover. Apenas chorar! 
As misérias da vida, de repente me trancafiaram em um quarto escuro e me deixaram de castigo, pensando.
Sexta-feira encontrei com um gatinho de rua que eu quis levar pra casa, mas não coube na minha bolsa; No sábado, um gato me seguiu até em casa, dei-lhe comida, dormiu na minha cama, mas ele parecia bem cuidado e pela manhã fui procurar o dono e encontrei; No domingo, dois gatos mal tratados , mas aparentemente tinham donos, por causa das coleiras, apareceram na minha janela, mas logo foram embora. ( E como meu coração queria acolher todos eles. )
Também passei por alguns animais doentes pela rua e não pude ajudar. Vi um homem doente na rua e não consegui parar. Apenas desabei a chorar!

Depois da chuva que desabou em mim, comecei a me culpar por eu não poder abrigar esses animais, por eu nem sequer ajudar pela falta de grana. Pois já temos 8 animais e sete deles eram de rua.
Fiquei pensando o quanto de coisas fúteis já comprei. O quanto de coisas sem necessidade gasto dinheiro todos os dias, quando eu poderia utilizar pra ajudar esses animais.
Em seguida, comecei a sonhar. Comecei a fazer planos do quanto ainda tenho que trabalhar pra poder ajudar meu próximo. Será o meu foco dos próximos dias.

Enxuguei as lágrimas, porque choro só lubrifica os olhos, não ajuda muito.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Pois é....





Dentro do bolso, as memórias.

Dias pra guardar no bolso da camisa, bem perto do peito. Aqueles dias pra eu olhar de perto...
Aqueles dias da infância, em que um jambo verde com sal no alto do jambeiro me fazia tão feliz; aquelas tardes quentes no bairro do Benguí, na rua de piçarra e valas enormes nas quais pescava peixinhos "de aquário". 
Aqueles meses de férias na praia do Marahú, na barraca na beira, em que catávamos caramujos nas famosas pedras do final da praia, e comer com o espinho da pupunheira. Lá  também pescávamos peixes pra comer, contemplando aquela paisagem maravilhoso; 
Aqueles anos de adolescente revoltada, cheia de fôlego no peito , cheia de coisas intermináveis, cheia de amores valentes. 
Guardarei no outro bolso, os dias na Vigia de Nazaré. Aqueles dias saudáveis, de aprendizados de vida, de universidade, de campo,de vinho, de amigos, cheios de amor... junto com uma foto da Amanda, claro. 
Os meses no Xingu, o grito da Rosa - a arara que eu me apaixonei. As perguntas da Ritinha e do Alan. Todos os rostos dos meus alunos guerreiros de todos os dias. Das pessoas que não me conheciam, mas sorriam todos os dias para mim.
Guardarei também os cheiros, os sabores, as lágrimas... pra que eu saiba que os dias passados no meio das coisas miúdas, foram alicerces pra essa Laila aqui estar de pé. Foi a poesia vivida que me encantou, me fez respirar e me faz viver.
E quando essa luz que me faz viver, um dia apagar, vai acender em algum bolso em outro lugar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

...



Passei esse vídeo para os meus alunos do 6º ano e eles piraram . Saíram da aula amando a mim e ao Criolo.  <3 p="">

Batuque de Belém.


Retrato celular android Pocket. 
Mercado de São Brás às 20:10h do dia 26/09 testemunhando a Chuva.


Escorregadia, lisa, cheirosa, alegre e cheia de magia. Iluminada sem lua.
Uma bruxa , Belém.

Sem pudor chora de prazer. Refresca com suor que emana de baixo. 
Ora assusta com a violência que transborda de si. Ora acalenta com a calmaria.
É magia.

Não fujo de ti. 
Te observo enquanto respingas um choro espontâneo.  Um gozo-choro.
Um choro de gozo.
Um batuque.

Suada , cheia de amor e tambores.
Me alimenta além do bem.
Esse de Batuque em Belém.

sábado, 27 de setembro de 2014

No paladar de uma Mulher.





Minha transformação de Mulher segura, se firmou na boca de outra mulher. Foi o momento em que desequilibrou minhas crenças e divergiu o corpo da minha mente. Era como se meu espírito gozasse sem parar, observando aquela cena.

Ela era linda. Cabelos curtos, morena clara, olhos negros, estatura mediana, lábios finos, rosto angelical. Nos conhecíamos das festas, entre o mesmo grupo de amigos. E foi somente em uma dessas festas que nos conhecemos profundamente.
Ela era bissexual. Eu, completamente decidida enquanto heterossexual. No entanto, nos complementamos.
No salão principal, dançávamos em meio a multidão, e relativamente perto uma da outra. Estávamos bêbadas, mas completamente conscientes de tudo. Até que ela me chamou , perguntou se eu queria uma dose da bebida. Conversamos coisas em comum, até que ela pediu pra eu ajudá-la a segurar pela parte de dentro, a porta do banheiro.
Ela urinou , lavou as mãos e perguntou se eu poderia lhe dar um beijo. Me assustei, e a primeira reação foi exitá-la. Achei que fosse piada, sei lá. Mas acabei entrando na "brincadeira". Eu apenas sorri. E ela aproximou-se. Colocou as mãos em minha cintura e beijou-me. Deixei.

A sensação foi de um alívio estranho, mas eu me entreguei sem pensar que aquilo era errado. Nossas línguas se encontraram e dançaram fora de nossas bocas, até que ela levantou a cabeça e enfiou a língua na minha boca. Comecei a suar muito. Meu corpo não mais me obedecia.

Ela beijou meu corpo, me fez carinho, foi abaixando e me deixando com tesão. Passou pelos meus seios arrastando a língua quente e endurecida. Enquanto me chupava , me olhava firmemente. Era como se aqueles olhos me dessem segurança da vida.

Foi descendo aos poucos, levantou meu vestido segurando à altura do umbigo, colocou  sobre minha calcinha, o nariz e inalou profundamente. Passeou levemente em direção à minha flor de prazer e quando me alcançou, lembro-me que automaticamente gemi e abri as pernas

Foi aos poucos abaixando a calcinha e pondo os dedos entre os lábios grossos onde sentia o clitóris eriçado. Enfiou a língua nervosa e suculenta , apertando o grelo  que doía à libertação de como ela me provocava. Os dedos dela me penetram toda, enquanto eu a acariciava a nuca, puxando para mim.

Definitivamente, foi o instante em que senti a intimidade quente e molhada. Bastante molhada.
Eu senti seu corpo começar a tremer. Com isso, ela gemia alto, seu corpo ficou tenso e ela colocou os braços firmemente em torno das minhas pernas. 
Seu ápice foi consumir minha cona, enviando calafrios pela minha coluna espinhal.
Seus gemidos estavam fazendo meu corpo inteiro formigar, ao mesmo tempo em que flutuávamos. 
Fechei os olhos firmemente e arqueei as costas quando o prazer dela me foi enviado sobre a borda. Gozei. Chorei de tanto gozo. Gozei na boca dela.


Após alguns momentos, o meu clímax começou a diminuir e ela lambia com cuidado minha vagina. Levantou-se . Lambeu meus lábios. Nossos perfumes encheram meu nariz, eu provei de nós.

Saímos do banheiro com uma sensação de libertação. Nos despedimos e cada uma foi pra um lado. Não nos vimos mais. Mas aquela sensação , certamente não sairá jamais de nós.









quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Amar pra quê?


-Amar pra quê? Amar quem? Por que não, apenas Amar?!

-Porque não há nada que importe tão mais quanto o amor.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Percepção da janela do ônibus.



[...]

E o rei me disse:
"A pressa esconde o que já é evidente.
Foi do meu lado que eu achei o que me fez assim
tão diferente."

[ ...]
Um Rei e O Zé - Apanhador Só 


Sabe quando bate no rosto, o vento vindo da janela do ônibus, entra pelo teu celular, corre pelos teus fones até chegarem aos teus ouvidos e pintarem um sorriso tímido no rosto?

Às 6h15 em um Distrito lotado, parando continuamente na Br 316 devido ao trânsito caótico de um dia útil qualquer. Em pé , segura a um dos ferros perto do cobrador , surge uma vaga exatamente para o meu tamanho, vou me encaixando. Me liberto do sufoco maior e fico de frente pra janela aberta da parte mais alta. E no tédio da situação, a música e o vento se juntam. Me contaminam. É então que o dia se enche de poesia e alegria. 
Nos rostos amargurados dos ônibus e paradas pelas ruas, os semblantes são mais  fechados, endurecidos os que não tem poesia soprando em seus ouvidos. 

Quem dera todos se permitissem sentir a música ao nosso redor, hein?








Meus meninos e a lua.



Na janela do meu quarto ,
                                              alegrando meus dias ,
                                                                                    iluminando minhas noites.

sábado, 6 de setembro de 2014

As cartas que não se vão.

Tenho guardadas cartas de palavras molhadas que preservam lembranças chorosas de um tempo cinza. 
Um tempo guardado na gaveta entre teias, roupas e retratos felizes. Toda vez que remexo a gaveta, a ferida dói.
São palavras machucadas, de um coração vazio.

Em meio a bagunça, alguém bate à porta.
É ela, a saudade vasculhando portas, gavetas... encontrando papéis que soluçam
Enxugando os olhos e dizendo que é pra viver

sem medo dela.




terça-feira, 2 de setembro de 2014

Adendo.

Desconfio de três tipos de pessoas, entre tantas outras, são as que me deixam em alerta:

-As que não gostam de animais,
-As que não olham nos olhos ;
-E ALGUNS pedagogos.

Desculpem a última opção, mas conhecendo algumas pessoas atuando como profissionais pedagogos são estúpidos educadores e deveriam trabalhar em obra de construção porque tratam as crianças como pedras. Outros, porém são super amorosos e fazem jus ao que estudaram em suas respectivas faculdades ou universidades.



segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Ser arco-ires.


Nas cores primárias cantei uns versos,
Suspirei e sorri.
Acordei arco-ires

-Agora me lambe?



Os versos dele atravessam meu peito.

"Passei a semana ouvindo tua voz,
   mas se eu não te ver,
   não sentir teu cheiro,
   morro de saudade o fim de semana inteiro."

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Por aqui é assim...


Lugar de gente de verdade.

Às vezes a gente desdenha do serviço público, e eu conheço muita gente que prefere pagar do que usufruir dele ou exigir um melhor tratamento. Isso serve pra quase todos os poderes: educação, saúde, judiciário, segurança, saneamento e por aí vai... Minha avó diz que: "Foi o tempo que a escola pública era a melhor, com professoras mandadas da França. Hoje, o serviço público não presta pra nada." E eu ainda fico tentando achar brechas pra convencer a velha de que é um serviço voltado pra população, pois pagamos e bem caro pra isso. Mas acabo ficando sem argumentos diante da teimosia e pouca vontade de me escutar. Mas tudo bem, os problemas do Brasil não estão isolados somente em serviços públicos. Vão muito mais além e não me cabe neste post isso.
  
Bom, no eixo da educação, acho que todo mundo, sendo professor ou não, deveria ter a oportunidade algum dia de dar aulas em escola pública. E aprender um pouco com a realidade que as pessoas alí têm a ensinar. Entender e perceber  o que o que aquele público vive no seu dia a dia pra estar naquela instituição. 
A escola pública ensina muito mais que dias sentado lendo teorias pedagógicas utópicas que ninguém consegue entender. Há mais prática e quase nada de teoria. As pessoas vivem, sobrevivem, morrem em si mesmas, revivem... e os professores têm "privilégios" de assistir e aprender apenas com a observação.

Acho que foi lá que prendi a introdução de ser gente de verdade. E digo isso porque eu fui estudante da escola pública quase a vida inteira. Também me formei em uma instituição pública. Estagiei em escolas públicas , trabalhei em uma lá pras bandas do Xingu e na Ilha de Mosqueiro. Me torno humana a cada passo que dou na escola. Me sinto viva a cada bom dia dos alunos. Porque o gostinho de ministrar aulas pra crianças e adolescentes da rede pública é transformador. Pra eles, no início é um impacto. Pra nós, um desafio. 
A gente passa por cada situação que aflora todas as sensações ao mesmo tempo, de repente alegria, irritabilidade, atenção, amor, carinho, confiança, apreço entre outros, são compartilhados em uma mesma aula.
E a cada nova conquista , a cada conteúdo repassado e que é entendido, começamos a engolir gratidão. 
Sempre digo que o ofício da docência , no meu caso, não será pra vida inteira, mas ainda irá me humanizar por muitos anos. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

É mais ou menos assim.


Tô gripada.

Nariz entupido de borboletas , peito cheio de estrelinhas, garganta arranhada de poesia
E não paro de vomitar arco-íris.
Não tenho remédios. E nem faço questão.

Um abraço e eu te contamino.






Nascemos de nós.

Sede,
Saliva quente.
Escorre dos lábios.
Entra no peito.
Passeia nas veias.
Agita os braços.

Sobre minha carne, abraços.
Cobre-me.
Guarda-me dentro de si.
Re (vivo) em mim.

Embebecidos,
Transbordando de mim
Acolhida nele
Somos nós.







quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Preciso ir.

Eu preciso sonhar. Viajar por outros risos, outras nuvens. Conhecer novas histórias. Me embriagar. Beber raios de persistência. Eu preciso ir além. Além da minha visão. Além do mundo que vejo. Além dos meus passos. 

Eu preciso ir...

E já estou atrasada.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Suspiros e lambeijos.



Educador, compositor, lindo, poeta , MC, Kleber Cavalcante. Um deus completo. 
Ou seja, é ideal. Ele é desses homens perfeitos que devem ser adorados de longe. Ouvindo a poesia que ele faz no tom perfeito pra essa voz maravilhosa que ele tem. 
Mas ele é um ser humano como qualquer outro e tem os defeitos mais chatos que qualquer um de nós temos, manias e costumes ridículos.
Égua, mas a história desse cara é incrível e achei mais bacana ainda quando soube que ele se formou no ensino médio junto com sua mãe. Entraram juntos no ensino médio e assim foram até o final,  Maria Vilani (mãe de Criolo) se graduou em filosofia, pedagogia, se pós graduou em línguas e filosofia clínica, hoje além entre outras coisas ela “dirige” um café filosófico.
Ele também fundou em 1989 a Rinha dos MC’s que existe até hoje. 







A esperança foi no ralo e voltou.

Celular no bolso de uma retardada como eu, dá nisso. 
Bom, pelo menos o vaso era de casa e não de algum banheiro público. 

Cheguei em casa  num domingo depois de um sorvete maravilhoso, uma lasanha, um suco, um bolo e tal , morta de vontade de urinar, ( diga-se de passagem, a vontade foi embora na hora ), aí baixei o short e o celular foi direto na privada. Foi tipo a regra dos 5 segundos sabe? Meti a mão e peguei . Ainda ia lavar o bichinho - me joguem pedra. 
Não deu tempo de urinar , muito menos baixar o barro, o celular ficou ENCHARCADO. É desses android e a tela tava tipo aqueles brinquedos de criança, que tem água e que a gente aperta nos botões pra jogar as argolinhas em um alvo. Pois é. Deixei a noite toda em frente ao ventilador, no dia seguinte ficou pegando sol. Eu, ainda na esperança de uma reencarnação , peguei o secador de cabelo e fiquei pelo menos uma hora com vento frio nele. 
Aí lembrei que uma vez, em Vigia, em que entrei num igarapé com um celular no bolso e o bichinho se afogou valendo. Aí lá, todo mundo dizia pra eu colocar na farinha ou arroz. E não é que deu jeito? Ele ressuscitou. 
Daí peguei um copo com arroz e coloquei meu android dentro por mais dois dias. No final da semana o bichinho já tava bem, aparentemente sem nenhuma sequela. Quase acabo um vidro de álcool e perfume esfregando nele, mas tá bem. 


Post Scriptum: Lembrar que na próxima aquisição, o celular deve ser a prova de água e de quedas.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Estão mocinhos meus filhos.


João e Rato.
Tirei a frauda deles e agora estão indo ao banheiro sozinhos. 
*_______*



Quando a arte bate na minha porta.

....Eu agarro no peito e misturo no açúcar que a vida tem.

É que aqui em casa, eu e minha irmã sempre tivemos o exemplo da superpoderosamamãe com o superpoder do improviso. Na escola principalmente, quando os professores pediam trabalhos assim assado ou tínhamos que comprar tal coisa assim ou assado para fazer determinados trabalhos ou coisas de material escolar, aí nós sempre tínhamos uma coisa inédita e super legal ao invés do que nos pedíamos pra levar. A falta da grana acabava instigando mais ainda nossos dias, pois meus pais não tinham dinheiro pra comprar tudo o que a escola pedia, quanto mais em dobro. 
E o improviso sempre foi um fermento misturado nas nossas veias. Como diz minha mãe: "quem tem mais de um filho e não tem grana curta, TEM QUE TER CRIATIVIDADE PRA TUDO." Desde sempre acredito nisso. E aqui aqui estamos. Não menos criativas e recheadas de poesia. 
Ano passado no ócio da pós formatura, com mente vazia, cutuquei a mente, pesquisei, analisei umas fitas VHS's que tínhamos em casa há tempos, e eu e meu namorado inventamos de fazer uma mesinha de centro. Ficou linda, um mimo só, mas não colamos direito e ela cedeu. Guardamos as fitas pra outra hora fazermos outra bem colada.
Início deste ano, andei pedindo mais doações de fitas VHS's, LP's e fitas K-7 na intenção de fazer bolsas que eu havia pesquisado ano passado. Cutuquei a mente de novo, pesquisei na internet, comecei  então no processo de experimentação e produzir bolsas pra eu usar. Não ficaram bem acabadas, mas eu ia e tentava de novo, até chegar nesse resultado aí em baixo. Cluths (bolsinhas de mão) feitas de VHS feita de veludo com alça de corrente e bolsas de tecido de algodão de diversas estampas. As porta-moedas de fitas K-7 ainda estão quebrando minha cabeça, mas logo logo estarão prontas.
Agora dei pra isso. E penso que posso fazer de tudo agora. Bolsas, vestidos, calças... HAHAHA


E o Rato, meu filho mais velho, é um dos meus modelos.

Acessem lá:  Página do Fb Toc Retrô  https://www.facebook.com/ttoqueretro?ref=ts&fref=ts
                http://instagram.com/toc_retro





quinta-feira, 24 de julho de 2014

Um dentro do outro.

Retrato da net.

Mãos ásperas escorregam entre linhas e curvas, desenhando peles quentes e epiléticas entre lençóis molhados de desejos, grudando nossos corpos mudos. Somos pedaços um do outro, faísca em atrito, movimento de entrada e partida. Somos experimento da saúde que acende o fogo que move a gente.

Nosso cenário é montado de elegância em uma nudez simplória, armada de arritmia e loucura por todo lado. Incensos e suor circulando, adulterando o sangue, cegando a solidão, misturando sabores. Somos testemunhas e cúmplices de alma e saliva.

A força dos olhares dele parecem arrancar do peito o que é mais perfeito, que por vezes me deixa morta, mas rapidamente respiro a vida pela boca dele que acaricia-me os grandes lábios já eriçados, deixando em alerta o clitóris. Sinto a língua dele perde-se em meu ventre, sugando meu valor e minha memória. Arrancando por entre as pernas toda minha essência. Ele distorce minha visão num desmaio rubro, alucinógeno.  Resgata de mim a fome quando esfrega o falo babando sobre minha cona. Encosta o dedo e vasculha algo que fora perdido. Me faz tremer, gemer, chorar e sorrir, na medida em que acaricio-lhe o pênis torneado, massageando-o, segurando-o firmemente, subindo e descendo minha mão, arrodeando-o em movimentos circulares, modelando o corpo ondulado, elegante , inquieto.

Ele me calibra antes de adentrar completamente. Sobre os pequenos e grandes lábios escorregadios, roça a glande e o prepúcio suplicando para entrar. Procura em mim, o gozo. Encontra meu ser. Me remexe e suspira. Suspende-me. Enlouquece-me. Faz-me mulher. Entra perfeitamente, como se eu fosse a fôrma exata para servir-lhe. Macho e fêmea alinhados. Um dentro do outro. Armados e protegidos.

Sinto o mel escorrer e molhar minhas pernas, quando aquele membro esponjoso palpitava em frente da minha vagina e dança ao redor do clitóris. De repente, nada mais importava a não ser o falo todo dentro de mim. Falta fôlego e tudo pára.

É na falta da respiração, que  ele jorra a água que mata minha sede. 
Soltamos juntos um urro desesperador de prazer!




segunda-feira, 21 de julho de 2014

Dias de julho.

Luta. Laurinha. Bazar. Sol. Feira. Som. Costuras. Sono. Fome. Tatuagem. Cerpa. Ver-o-peso. Companhia. Beijos. Amor.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Alí.

O nervosismo é uma coisa que me apavora sem eu perceber.
Rói minhas unhas e me deixa num canto sem querer.

Amado.



"Sinto absoluto dom de existir..."

É que ele tem todo meu respeito, meus beijos e boa parte da minha alegria. É o meu amado, meu amigo, meu companheiro, meu namorado , meu meninão sonhador.
É esse cara que me aguenta de tpm, com todo meu peso e de mau humor. Ele pede pra me escutar nas horas mais estúpidas. Ele quem me aperta de saudade com braços cheios de carinho. Ele quem me emociona sem esforço. Ele quem está nos meus planos por longos anos. 

E eu sou uma pateta por às vezes me distrair com outras coisas que não seja com ele.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Costuras.

As experiencias são costuras. A vida é uma colagem de retalhos amassados, coloridos, por vezes desbotados e hora ou outra, desordenados. Mas em constante construção de um planejamento desconexo, desvairado, enlouquecido. 
Só vai pro o lixo o que é dispensável. Mas o lixo também é reciclável.

Enquanto o pano é costurado 
Arremato o verbo,
talho,
meço a solidão,
talho e guardo.

Palavras são fios de retalhos construindo vidas e declarando amor. Entre uma costura e outra , os sonhos se escondem, e nosso trabalho é alinhavar, costurar e dar o acabamento sem medo.



domingo, 29 de junho de 2014

Temporada na Ilha de Mosqueiro.

Estive sem tempo. Estive com o coração e mente ativos. Estive no ofício da docência. 
Estive esse mês ministrando aula na Ilha de Mosqueiro, em uma escola no Carananduba, com turmas do sexto ao nono ano e EJA, pelas tardes e noites de junho. Mais uma experiência maravilhosa e enriquecedora com crianças cheias de carinho e amor que não conseguem esconder diante de nós, professores. 
No início o clima pesou um pouco, porque eu e mais alguns professores estivemos como prestadores de serviços para cobrir os conteúdos dos grevistas do município. O que deixou os alunos um tanto "revoltados" com a "troca", mas conseguimos reverter o quadro e deixamos nossa marca. Recebi cartinhas e tudo. 
Uma explosão de abraços e beijos fecharam meu trabalho. Mas não acabou o ofício. To esperando outro lugar, outro chamado.
Quem sabe outra estrada, outro rio, outra terra...


quarta-feira, 18 de junho de 2014

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Tempo preenchido.

O tempo tem apertado. Tem sido ríspido, porque sabe que é para o bem. Ele também não me prende, e sim atarefa. E , as vezes até me atrapalha.  Mas me tranquiliza por ocupar meu corpo, minha mente.
Tem um álibi que me ensina a viver. 
A docência. 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O corte da saudade.


Faz a gente sofrer e viver.
 Uma brasa no coração que queima lentamente e resseca os tecidos cardíacos. 
Por vezes sufoca, seca, alaga, tritura. Mas a gente se acostuma e uma hora aprende a parar de chorar e aí, a ferida lá dentro vira um escudo aqui fora. Mas é um escudo humano que ainda sim, é frágil.
 Brasa essa, que é faca de dois gumes, a saudade.

Entulho dentro da gente.

Tem dias que a dor aparece sem motivo. Ou talvez, os motivos sejam tantos que não dê pra distinguir de onde a dor emana. A gente não olha pra gente, não olha pra dentro, não vê as boas coisas que temos. Parecemos bichos escondidos com medo de alguém pisar, com medo de olhar pra frente. É um medo misturado com angústia que se embola com a falta de apetite e alimenta o desestímulo vital. Uns podem pensar que seja extremismo de nossa parte ou drama, mas não deve chegar a ser depressão. É só um momento da vida que nada dá certo e o tempo não parece ajudar. 
Os desejos adormecem. As aves silenciam. O corpo estático. E o silêncio dá lugar ao pessimismo, negativismo e a falta de vontade.
Quando eu era pequena e me irritava com os trabalhos e coisas da escola, desejava ser um bicho qualquer pra não ter as preocupações humanas as quais me deparava. Chorava bastante até voltar à realidade e entender que eu tinha que enfrentar tudo aquilo. Não podia deixar um moleque gritar comigo e simplesmente chorar e voltar pra casa; não podia deixar a professora vir me humilhar porque eu tinha problemas com a matemática; eu não podia deixar que um namoradinho expusesse ciúmes extremos a ponto de fazer escândalos na rua; eu não podia... até que comecei a reclamar e fui parar na direção da escola e posteriormente em um consultório de psicologia. E foram dias muito bons. Eu sentia que ela me entendia como ninguém e não parecia me julgar (pelo menos não demonstrava). Foi uma grande amiga durante a adolescência. Uma fase que eu só precisava de alguém que pudesse me escutar e foi quando eu aprendi a escutar e olhar pra dentro de mim.
Aprendi o exercício de olhar o lugar comum por um outro ponto de vista e que naquela época, estava em transformação dentro de mim. Meus sentimentos foram sendo esclarecidos e fui aprendendo a ter paciência para resolver meus problemas. E a cada dia enriquece meu coração. Me instiga nos meus sentidos a contemplar o que está além, viajando para dentro de um lugar, de mim, do outro. Mas ainda tenho muito o que aprender, principalmente sobre minha família, sobre o que está perto. 


sábado, 31 de maio de 2014

Saúde.

Sede de amizade.
Fome de amor,
Inspirando arte...

Muita calma pra me alimentar.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Águas do céu.

Afogam-se de poesia as chuvas aqui pras bandas de Belém do Pará. Por vezes é triste, melancólica, esmorecida causando até um certo receio e um bocadinho de dor no peito, mas quando bem observada transforma-se num tesouro reluzente, cheia de amor na responsabilidade pelo refresco, bem-estar e  marcando os encontros dos amantes. 

Exala um cheiro forte de folhas molhadas e quintais adormecidos de lembranças infantes. É sempre inspiradora e serve de desculpas para se esquentar.

Na janela do meu quarto, os dias de chuva são quadros cotidianos poéticos. Tem biqueira, blues, gatos, uns amigos  libertários e um peixe solitário. E a noite, não se faz de rogada, surge e logo anuncia madrugada. Embriagada, enebriada, encabulada, descortinada!


Por vezes, me vejo chuva!


Metamorfoses.


[...]

Chega logo!


A ventania alí na frente anuncia o tempo bom. Talvez traga estragos, sujeira e destruição.
Mas depois de qualquer vendaval , vem a reconstrução , o renascimento, a purificação interior. 
E que venha o recomeço de cabeça erguida, e que a estrada adiante aguarde com espinhos necessários para este novo ciclo.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Dos conselhos para seguir.

"Diabos, precisamos de humor, precisamos rir. Eu costumava rir mais, eu costumava fazer tudo mais,
 exceto escrever. Hoje, escrevo e escrevo e escrevo, quanto mais velho fico mais escrevo, dançando 
com a morte." 

Charles Bukowski

Aí ele disse:


"Cansei de ser gato malhado de preto e branco, comi a tinta de cabelo da mamãe e fiquei rosa. Tô lindo?"

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mais uma primavera para a coleção.


Até o google me desejou feliz aniversário, gente! Hahaha

A Lua transita pela Casa 7, enquanto que o Sol se encontra na Casa 13, entre os dias 22/04 e 02/05. A sua sensibilidade estará também mais ativa, de modo que neste período há o risco de você ter reações um pouco exageradas a determinadas coisas que em outros momentos sequer lhe incomodariam.

Não é um dia comum e nem tão especial. Eu já tava passando do tempo porque a mamãe queria me ter em parto normal, quando o médico achou que era hora, já que eu não tava afim de vir a esse mundo.
Já cheguei atrasada, sou um pouco lenta talvez por isso,( ê! nada a ver.) E eis que aqui estou com 27 outonos, 54 kg, desempregada, sem filhos humanos, dois gatos pra criar, nenhum livro escrito a não ser o tcc e morando ainda na casa dos pais.

Um tanto deprimente! Pelo menos pra mim que sempre pensei que entre os meus 25 e 30 anos eu já estaria morando sozinha, concursada, naquele emprego mais ou menos. Mas, como a vida da gente nunca é um mar de rosas, passamos por coisas que tendem a amadurecer a gente. Nessas quase 3 décadas tenho histórias boas, coisas ruins, coisas estranhas. Amizades duradouras da adolescência, outras que perduram desde a infância e outras que não duraram muito, vieram e ficaram o tempo que precisaram, depois foram embora. Já conheço alguns lugares pelo Brasil e morei em alguns interiores. Já passei alguns apertos e já chorei bastante por isso.

A criação que recebi, me mostrou que eu precisava lutar pelos meus objetivos buscando os desafios sempre. E foi nesse mar de rosas que a necessidade me fez debater os braços e pernas até aprender a nadar. Acho que aprendi. Me feri um pouco nos galhos, pedras e espinhos, mas cicatrizaram com o perfume das pétalas e frescor da água. E em determinado tempo, percebi que aqueles arranhões e feridas, já estavam "saindo na urina", como declama minha avó.

E como mesmo sendo meu aniversário, o universo não poderia deixar de me sacanear, porque sei lá, deve ser a lei de Murphy. TEM que acontecer. E acordei às 7horas da manha com uma carro som morto de escroto no canto da rua de casa, botando pra quebrar com uma aparelhagem pirenta velha me deixando um tanto mau humorada e me tirando da cama antes do que eu planejava. Fui tomar um banho e acabou a água. Presentão de aniversário.

Fora isso, as mensagens pelo FB estão me animando. 

 

Cheia de sorte desde 1987. 



segunda-feira, 28 de abril de 2014

Vênus.


                                   Somos todas,
                       parte de uma galáxia amiga.
                         Somos arte, sol , cerveja e gratidão.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Hora pra comer e gozar, a gente quem escolhe.



Quando não tem lugar apropriado, qualquer lugar com jeitinho fica arrumado, principalmente  quando os corpos estão quentes, fervendo, borbulhando em tesão. As segundas, terceiras intenções são sugeridas com olhares malinos. Olhares de fogo. Inquietos. E é melhor aproveitar porque outras oportunidades talvez não mais surgirão.

Era uma dessas noites úmidas de Belém. Voltávamos de algum bar e ele me acompanhava até a parada de ônibus. Pouco movimento na rua deserta, que nos convidava à noite. Em pé, sentados ou escorados, em qualquer posição. 

Estávamos na Magalhães Barata. Nos abraçamos um pouco esperando o ônibus, enquanto o calor aumentava, mas a entrada pro prédio dele é na nove de janeiro e estava bem próximo. Foi aí que me sugeriu algo. Li nos olhos a ânsia pelo coito. E aceitei!

Entrando na portaria, ele disse que o ap tava cheio de gente, mas que poderíamos dar um jeitinho pelo banheiro. Sugeri então a escada e ele disse que ninguém usava, endossando que era um ótimo lugar. 

Não tivemos cerimônia. Nos empurramos nas paredes e passamos muito tempo num beijo gostoso, molhado com as línguas eletrizadas que ora passeavam em nossas bocas, ora nas bochechas, orelhas, pescoço e retornando até boca. Nossas mãos frenéticas vasculhavam-nos. Ele em meus mamilos, dorso, pernas. Eu em suas costas, braços e falo ereto.

Sentou-se no degrau, me puxou pro seu colo e eu me sentei o mais aberta que pude. Estava de vestido curto e calcinha molhada. Pude senti-lo fortemente roçando-me a púbis.  Tiramos nossas roupas enlouquecidos. Puxei meu vestido por cima. Ele tirou a camisa e abriu a braguilha. Me levantou pelas pernas, e me carregou enganchada, me pressionando à parede. Mostrou-me o caralho pulsante, escuro, torneado e brilhante alí com fome e sede.

Me chupou os seios endurecidos enquanto me segurava fortemente à sua cintura. Me escorou no degrau e deitou-se no chão. Pediu para que eu lhe esfregasse a cona em sua boca. Me vi em êxtase! Estiquei as pernas, e em pé fiquei parada olhando-o me desejar, enquanto tirava a calcinha o vi compenetrado entre minhas pernas. Sentei!

Tremi toda quando senti a língua dele ir fundo. Senti a aspereza das cerdas passeando, massageando com a língua endurecida, ia até o clitóris, parava, chupava e descia até entre meus grandes lábios. A barba suja mergulhada na minha carne, degustando meu mel.  Me apertava os seios, com aquelas mãos enormes que me dominavam, eu estava impotente, não adiantava tentar nada. Era ele quem me conduzia. Dentro de mim. Em seu paladar.

A adrenalina aumentava toda vez que ouvíamos o barulho do elevador que dava de frente para a porta da escada. Nos mantivemos calados e suados.

Não hesitei o desejo de prová-lo também. Pedi-lhe um 69. O prazer múltiplo. Acariciei, beijei, lambi, chupei com vontade, mordi levemente, apertei, esfreguei. Enfiei na goela. Rodopiei todo em minhas bochechas. Percebi cada veia pulsante, a pele esticada, sangue arquejante daquele falo imponente, atlético, carnudo, cheio de poder e eloqüência, desesperado e nobre pedindo a mim.

Senti-me totalmente preenchida, suspensa no ar, cheia de paixão desde o ventre até a alma. Senti um arrepio repentino gelado e quente ao mesmo tempo. Uma sensação que não sabia ao certo de onde surgia, percorria meu corpo até a garganta e percebi que ia gozar. Um orgasmo cem por cento genital e visceral, que vinha das estocadas fortes da língua dele e que eu simplesmente não podia conter. Então lhe disse que eu ia gozar. E ele continuava mais forte que me fez retorcer toda e ele soltou um urro forte que me lambuzou de prazer. Senti seu leite quente no rosto. Gozamos violentamente juntos com espasmos grudados um ao outro, que nos desequilibrou. Perdemos as forças e nos jogamos para os lados, no chão.
Senti todo meu corpo formigar. E ficamos alí, jogados por um tempo, semi-mortos. Sujos de suor, saliva e de nossas essências. Vestimos nossas roupas e saímos da escada. Pra nossa surpresa, já era dia. 
Ele me levou até o apartamento dele pra eu tomar um banho e um café, depois me acompanhou novamente até a parada da Magalhães Barata. 

Nos despedimos com um beijo e um até logo na expectativa pela próxima vez.


Seguidores