terça-feira, 21 de abril de 2015
Beija-flor.
A beija-flor que resgatei outro dia e levei até o Mangal das Garças em Belém, infelizmente não sobreviveu. O biólogo mandou um e-mail dizendo que a menininha não aprendeu a caçar as mosquinhas que seriam necessárias para a nutrição e reabilitação dela.
Fiquei super triste, afinal de contas a intenção era fazer o melhor pra que ela conseguisse sobreviver. Passei um dia e uma noite alimentando com água e açúcar (o que é super prejudicial pra qualquer passarinho *o açúcar em contato com a água forma um fungo que traz doença, semelhante ao câncer, no biquinho do beija- flor. Vide. http://vsceomundo.blogspot.com.br/2011/01/acucar-e-o-beija-flor.html*) , mas o biólogo, não me condenou por alimentá-la desta forma, pois o correto é dar o néctar que tem proteínas necessárias e mosquitinhos. Apenas nos parabenizou pela consciência de tentar salvar uma vida.
O que confortou meu coração.
Estive longe.
Estive longe de mim. Longe daquela vontade de ver o sol. Longe da terra , bem perto do mar. Desaguei e misturei meu corpo àquele água salgada . Acho que o tempo tentou parar minhas vontades, e estaguinei! Parei.
Parei pra olhar fora de mim. E me perdi.
Em meados aos surtos, voei!
Viajei e voltei.
Voltei pra mim.
Pra dentro de mim.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
A sorte bateu à porta. Era um beijo frágil, lindo e ofegante.
Talvez o universo conspire a meu favor quando me manda vidas para amar.
Talvez ele me teste, me ilumine e me sensibilize.
Talvez ele meça minhas forças quando me apresenta a vida de forma delicada e tão frágil.
Talvez ele me teste, me ilumine e me sensibilize.
Talvez ele meça minhas forças quando me apresenta a vida de forma delicada e tão frágil.
Acordei com meu pai dizendo que o vizinho achou esse beija-flor sem forças e que não conseguia voar. Prontamente fizemos os primeiros socorros, com a um paninho, uma vasilhinha, um pouco de água com açúcar e vontade de cuidar.
O bichinho ainda não consegue alçar vôo, tá quietinho e bebendo sozinho o néctar improvisado.
Espero voltar aqui de novo pra dizer que ele conseguiu voar e ser feliz novamente.
=*
segunda-feira, 16 de março de 2015
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Fixação.
Comprei há mais ou menos um mês atrás , de um sebo de uma amiga, o livro "Todas as mães são felizes" da Lucinha Araújo, que conta a história do filho, o Cazuza , mas só peguei o livro semana passada. E em três dias, logo devorei.
GENTE, que livro maravilhoso! Fiquei encantada com a viagem ao tempo que pude fazer pelas palavras da Lucinha. Chorei bastante logo nas primeiras páginas e me senti dentro da história. Até cheguei a me arrepender em vãos momentos , por não ter nascido naquela época, caramba! Sempre tive vontade de lê-lo, mas por algum motivo a mais, nunca procurava pra comprar. E me perguntava a todo momento, "por quê eu não li esse livro antes? POR QUÊ?"
Antes de qualquer 'anticazuza' falar mal do artista criticando-o a classe econômica a qual pertencia, defendo as palavras da mulher que aguentou aquela barra toda junto com O homem de alma iluminada que bebia poesia a todo instante. Defendo as palavras de mãe que amava demasiadamente o filho único e não queria perdê-lo para a morte. As palavras da mulher cheia de esperanças e orgulho do menino poeta. A mulher que deu a luz ao cara que fez história e ficará pra eternidade como um porra louca, mas acima de tudo um poeta genial.
E se antes eu já gostava muito do Cazuza com o pouco que eu sabia sobre sua história, agora minha vida ficou mais cheia de luz ainda.
Tenho andado chata demais, sensível demais, chorona demais, repetitivas demais, cazuzeando demais...
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Só pra não ver a vida em branco.
Acordei 4h21 , despertada pelo roçar nas pernas. Era o meu gato pedindo comida.
Alimentei-o. O sono foi embora.
Me reviro na cama , mas me dá vontade de correr. Saio então. Meu destino é a sorte.
Dê-me licença.
Vou com o sorriso nos lábios cazuzeando. O poema tem a ver com Blues e piedade.
Talvez seja a receita pra felicidade que ando a procurar que sussurra em meu ouvido.
Talvez encontre um caminho , um destino sujo. Mas tudo tem um risco .
Tudo tem sua hora.
E eu vou procurar, o que a vida guarda pra me presentear.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Sobre ajudar quem realmente precisa II
Essa é a Frida. Também foi resgatada da rua. Papai pegou ela do acostamento na BR, em Marituba. Os outros irmãos já tinham sido atropelados. Deve ter por volta de dois meses e é muito fofa com essa pelagem rara de felinos (três cores somente fêmeas possuem, e são bastante escassos). Já está vermifugada e sabe usar perfeitamente a caixinha de areia.
A Frida também fica presa no meu quarto para que os outros, que são mais velhos não malinem com ela.
Eu, como me apaixono fácil, é impossível também não encher o coração de amor por ela, mas infelizmente não tenho condições pra manter todos os bichanos que me aparecem, por isso tô tentando adoção responsável pra essa lindona. Garanto castração.
Alguém se propõem a esse amor ?
Sobre ajudar quem realmente precisa e nunca fingir não estar vendo.
Retrato do dia que eles chegou em casa. Pesava 1kg 1/2 e estava bastante desidratado.
Encontrei o Vicente na feira aqui perto de casa, de manhã dia 22/01/2015, com a calda toda queimada, em carne viva, tava horrível. Estava tão quietinho deitado na calçada , mal podia se mexer e quando passei , não tive coragem de deixá-lo. Peguei no colo, coloquei em uma caixa de papelão e levei até a Dr Ada, uma veterinária amiga, daqui mesmo pertinho de casa. O diagnóstico logo foi que alguém ou amarrou uma bombinha na calda dele , ou simplesmente botaram fogo que fez esse estrago com o bichinho. E haveria de amputar 5 dias após o resgate.
Trouxe pra casa e os meus 4 filhos não gostaram nada. Logo tive que trancá-lo no meu quarto sozinho para que eu pudesse tratá-lo, a priore lavando o ferimento com soro fisiológico e cuidando para que ele se habituasse com caixinha de areia, os cheiros diferentes e etc.
Também pedi ajuda no facebook para o tratamento dele e adoção. E ainda bem que uma ex-professora viu e logo disse que iria me ajudar com a castração e adoção. Outras duas amigas se comprometeram a me ajudar a pagar a cirurgia e vacina dele.
Tenho tido trabalhos extras com o Vicente e os outros. É que eu não deixo que ele saia do quarto nem que os outros entrem, mas entre uma abertura da porta e outra ele sai, ou alguém entra. E como é um menino muito cheio de vida, quer brincar, pular, correr pelo quarto, e nessas peraltisses, bateu o lugar da cirurgia que chegou a sangrar. Também conseguiu tirar algumas vezes o colar elizabetano que está usando para evitar o que ele já fez: lambeu e sangrou de novo. Essa cicatrização tá sendo bem demorada porque foi uma queimadura de alto grau na pele. E com isso tenho dormido pouco, saído rapidamente pra zelar pelo tratamento correto dele. Tenho me esforçado bastante pra isso e até me causado um certo estresse, mas isso é o de menos. O que importa é que consegui resgatar e aos poucos recuperar esse animal , que provavelmente morreria alí.
E como de praxe, tô apaixonada pelo Vicente. É um amor de gato. Desde que chegou em casa, não reclama de nada, tem apetite de sobra e mesmo no estado em que se encontra, brinca, pula, se diverte. E eu mais ainda com ele.
Vicente hoje, com quase o dobro do peso que eu o resgatei. Hidratado e faminto.
<3 p="">
3>
Tenho andado iluminada.
Retrato do abrigo da Samira ( um anjo, salvadora de felinos) que conheci no outro abrigo, o da Alba Maria.
Tenho andado encantada demais, com pouca pressa de ir.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
sábado, 31 de janeiro de 2015
Mil faces.
Eu aqui , nas minhas obrigações de cuidar da casa, estava pensando o quanto somos retalhos costurados pela linha do tempo. Somos mil faces em um pano. Digo , os seres humanos, sem distinção de gênero , etnia ou raça.
Somos cheios de colagens e recordes, seja da infância, da tv, do convívio com a família, amigos, inimigos, desconhecidos e etc.
Estava pensando... Enquanto me encontro no ócio da profissão, me ocupo dos afazeres domésticos, da canção e poesia dos dias em casa. Me faço música no corpo de mulher. Me vejo chata e um pouco cansada. Pinto e bordo nas paredes do meu quarto. Colo lembranças e escrevo bobagens. Gosto da bagunça e liberdade, mas queria também um pouco de organização.
Sou dessas que não pára muito tempo quieta. Cozinho, lavo, limpo a casa e costuro a saudade. Sou mãe de gatos. Preocupada e protetora. Tenho pouco dinheiro, criatividade e um pouco de preguiça. Mas não meço esforços pelos meus filhos. E como diz minha mãe, quem tem pouca grana e mais de um filho, tem que inventar. Faço as camas, brinquedos, dou os remédios, comida, vacina, meu quarto e meu carinho. E não abro mão do bem estar deles.
Educo e caduco. Faço de um tudo e sofro.Tenho um sol dentro do peito e a lua pra me acalmar.
Me chamem de fútil por amar os meus peludos, mas me desculpem, prefiro ser fútil a ser estúpida por não reconhecer o amor.
Sou das mil faces, não de todas . Talvez das mais comuns. Aquelas que são pouco prestigiadas.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Manias.
Aquela mania louca de amar o desfavorecido,
colecionar amores ,
chorar o inadiável
e
agradecer pelo sol.
João.
Todo mundo na tevê que eu desfiz e montei a cama pra eles.
=D
P.S : Tá faltando a Linda. A gata rabugenta.
colecionar amores ,
chorar o inadiável
e
agradecer pelo sol.
Vicente e Frida , hóspedes iluminados.
Rato.
João.
Shiva.
=D
P.S : Tá faltando a Linda. A gata rabugenta.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Parasitas a sós.
(Foto da net)
Talvez os ventos levem as palavras que são leves, soltas , fugidias, prontas para se libertarem da língua. Mas e o desejo, quem carrega?
A boca fechada marca o tempo, abusa do caos que toma conta do corpo. Saudade.
Aquele odor impregnava no ar por dias, até que ele resolvesse aparecer novamente. Meu corpo padece.
Dias vazios tomavam o quarto inteiro com aquele aroma da última camisinha usada e o cio que nunca cessava. Lembranças vagavam pelos esconderijos das veias, e eu caminhava na casa vazia. Da cama para a cozinha até aquele ruído na minha janela aparecer e recender a presença alucinante.
-"Fi fi fiiiio."
Dispara um coração.
-"Chegou!"
Senta no sofá, acende a erva e um incenso. A bebida vermelha que o acompanha no copo da mesinha da sala já o espera. Fita-me.
Me constrói no olhar compenetrante irradiando desejo. Desenha-me com os pensamentos minhas formas, curvas , pele. Fareja meu olor misturado à lembranças. Mudo, me consome.
Dispara um coração.
-"Chegou!"
Senta no sofá, acende a erva e um incenso. A bebida vermelha que o acompanha no copo da mesinha da sala já o espera. Fita-me.
Me constrói no olhar compenetrante irradiando desejo. Desenha-me com os pensamentos minhas formas, curvas , pele. Fareja meu olor misturado à lembranças. Mudo, me consome.
Me conduz com um olhar atrevido que me chama, hipnotiza, tranquiliza, entontece. Me dissolve na cama. Mergulha em minha carne. Delira.
Nos transformamos em pó toda vez que nossos cheiros pensamentos se confundem.
Me alisa com a língua, por cima da blusa, os mamilos ensandecidos . Sem pressa, começa a passar a mão nas minhas coxas, passeando com os dedos pela virilha , calcula minha umidade. Desregula o ar.
Por cima da calça jeans, minhas mãos lhe tocam o escroto na maior aspereza e fome. Massajei-os , acaricio-os. Até o falo latejar desesperadamente.
No ritual de sempre, ele me despi primeiro e eu lhe tiro a sanidade. Me beijava sem parar dos pés aos lábios mais grossos entre minhas pernas e me fazia contorcer-me o corpo enquanto me olhava fixamente. O mel escorria em sua língua que profundamente me encontrava. Me devorava sem pressa. Me lambia, mordia, chupava, tremia, Me dissolvia em calda e lhe lambuzava. Me libertava da carne e me fazia transitar pelo universo.
Lhe fazia carícias, lhe beijava, lhe lambia. rosado e imponente. Debruçava-me a lhe cheirar, endeusava aquele pênis vibrante, brilhante de amor. Mordia, guardava em mim, nos mais belos movimentos. Parecíamos bailarinos. Contagiados , harmonizados um dentro do outro.
Nos alimentávamos de nós. Dos sabores inebriantes , da energia amarga, dos surtos alados, da vaga lembrança amante.
Somos parasitas.
Somos esconderijo de tempos em tempos.
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
2015 desejos de amor.
Desejo tudo o que mereço, na voz de ser um humano qualquer. Quero tudo o que neste mundo tenho direito. A chuva, o calor, cervejas, o pôr-do-sol, o cheiro das pessoas, os pêlos dos animais em meu quarto, as estrelas, amigos verdadeiros , mentiras que me façam aprender, sorrisos que me façam sorrir. O teu beijo pra me acordar e me fazer dormir.
Quero um mundo meu pra dividir com o seu caos de tropeços , mas que essa união seja alegre , aconchegante e desafiadora. Quero abraçar o desconhecido delírio dos seus passos errantes, flutuantes e me embriagar do seu corpo sem sentir o tempo passar.
Quero ouvir a revoada apressada dos pássaros que iluminam as tardes, até o fim da minha vida. Quero festejar ao som de blues, samba , cigarras, sapos e grilos todo o amor que me propus.
Quero te sentir me acordar no meio da noite com suas mãos acalentando minha calcinha. Sentir o cheiro que vem dos seus pêlos e o hálito quente que urge de seus sussurros quando amanhecemos sem energias para nossos corpos descolarem-se.
Quero estar agarrada a ti completamente nua e vagar pelo universo . Experimentar o cosmo e me alimentar das estrelas. Viver nessa luz que me ilumina e me afasta de tudo o que é ruim.
Quero estar contigo e na distância dos raios que gente tempestiva que semeia discórdia, planta o ódio, pratica violência sob todas as formas e que emana ao mundo inteiro infelicidade.
Quero trabalhos que me façam viver de verdade. Quero problemas que me levante os olhos e me façam aprender a viver.
Quero contemplar as coisas simples a minha volta e quero encontrar coisas perdidas dentro de mim.
Te quero comigo na poesia diária do meu mundo.
Não quero nada que venha dos outros a menos que seja por suas vontades.
Quero apenas o que eu mereço.
E quero nada mais que viver de verdade e não apenas existir como se fosse apenas mais um vagando sem rumo.
Que este e os próximos anos sejam de dedicados ao amor de todas as formas.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Lá fora.
Desamarro os pés da porta,
desenho um sorriso mal feito com batom em um tom carmim
ilumino a rua.
Faço , desmonto
e me acho
No braços da lua .
Eriçada,
de saia curta vermelha, camisa colada, salto elegante
procurando o macho certo
saudável, forte e capaz de si.
Iluminada, amostra da carne
cheirando um cio ácido.
um calor molhado.
garganta seca.
Mãos inquietas,
Entre as pernas passeiam
Endurecem, amolecem, entram, saem
dançam, rodopiam na vulva dilatada.
Os grandes lábios roxeados enrijecem
incham , formigam,
animam-se
sozinhos.
Silêncio!
É lua cheia.
desenho um sorriso mal feito com batom em um tom carmim
ilumino a rua.
Faço , desmonto
e me acho
No braços da lua .
Eriçada,
de saia curta vermelha, camisa colada, salto elegante
procurando o macho certo
saudável, forte e capaz de si.
Iluminada, amostra da carne
cheirando um cio ácido.
um calor molhado.
garganta seca.
Mãos inquietas,
Entre as pernas passeiam
Endurecem, amolecem, entram, saem
dançam, rodopiam na vulva dilatada.
Os grandes lábios roxeados enrijecem
incham , formigam,
animam-se
sozinhos.
Silêncio!
É lua cheia.
Drumonddiando.
Chegando fim de ano e todo mundo estressado e ao mesmo tempo contente com toda essa folia de fogos, bebidas, comidas.
Na verdade, a gente só vê o povo pensando em pagar as dívidas e se endividando mais , pensando nos presentes dos amigos ( invisíveis, visíveis, da onça , de longe , da baixa da égua) pra comprar, para assim pensar que deixam todos felizes. Muita comida, muita estragação, muito inferno e quase nada de reflexão, afinal todos estão muito ocupados preparando suas ceias , enfeitando suas casas, correndo pra que tudo saia do jeito que acha que deve ser: família reunida , mesa farta, presentes. E todos sabemos que sempre será uma noite regada de hipocrisia, gente fazendo as pazes, gente fingindo que reza, gente chorando , gente bebendo até não querer mais, gente insatisfeita com seus presentes, gente reclamando da vida.
FODA-SE o natal. Acho que eu só fui feliz nessa época, quando eu era bem moleca quando eu ainda acreditava no velho do saco vermelho e ficava contente e vibrante com os presentes que iria receber.
Essa data só me trás tristeza, me lembra a ambição e consumismo que somos alimentados.
Drummond é sempre presente nessa sociedade de tempo esnobe. Está presente nossos dias como o Deus criador das palavras.
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Só amor.
Abandonaram ela e mais três irmãozinhos na rua de casa, mas encontrei apenas dois deles. Uma, eu consegui doar, a outra contaminou meu coração de amor e não consegui entregá-la a mais ninguém.
Agora ela tá aqui. Divide a cama comigo, me faz caducar com as peraltices de criança.
<3 div="">3>
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Meio sei lá.
Tenho andado baqueada das ideias. Cabisbaixa, embasada , jururu mesmo. Acho que é esse tempo de final de ano, sabe? Pra mim, é a época mais triste do ano. Não gosto.
Enxergo a cidade numa tristeza só.
Sujeira pra todo lado dentro da violência que piora.
Gente abandonada nas ruas. Animais confundem-se com bichos em lixos na feira.
Mais um ano que se vai e nada muda.
Os costumes são os mesmos.
As pessoas estão muito preocupadas em pagar contas e fazer mais dívidas.
Afinal é natal.
Mas é Natal pra todo mundo?
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Sobre presente do ano.
Este ano de 2014 tive entre tantas alegrias para compartilhar, o inesperado convite do querido poeta Claudio Cardoso para participar com uma crônica para a I ANTOLOGIA DE CRÔNICAS - BELÉM 400 ANOS.
Fiquei muito feliz pelo convite e confesso que em primeiro momento , não me achei capaz para participar. Primeiro porque entre tantos escritores desta terra, renomados e cheios de poesia achei injusto para com eles, afinal meu tempo de escrita é pequeníssimo perto dos grandes autores deste estado. Segundo porque eu nunca havia escrito uma crônica, o que me deixou mais descrente ainda dos meus escritos, que sinceramente, acho uma arte das maiores aos que escrevem com tanta naturalidade este gênero.
No entanto, refleti que para este trabalho não houve concurso, não burlei fila alguma , nem comprei um espaço para que eu participasse. Pelo contrário, EU HAVIA SIDO CONVIDADA pelo grande cabeça deste projeto que é o Cláudio. E foi então que minha crônica foi escrita com paixão e sedução que a nossa Belém traz consigo, nesses quase quatro séculos de existência. Assim como os outros textos de autores maravilhosos desta Antologia.
Nos retratos abaixo, estamos com a boneca do livro ainda, pois para esta Antologia até seu lançamento ainda faltam patrocinadores que torne este sonho concretizado.
Sodré e eu.
Sodré, eu, Cláudio Cardoso ( Idealizador do projeto) e Maciste Costa (ilustrador da nossa Antologia).
Eu com a página da ilustração da minha crônica.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Ao poeta Raimundo Sodré.
Todos os dias temos pessoas a quem nos inspiramos, pessoas que nos fazem suspirar a vontade de viver e querer "copiar" o modo como elas prestigiam a vida, principalmente esse modo poético de ler situações do dia-dia.
Nessas minhas 27 estações, tenho os meus cantores favoritos, meus poetas, meus livros, meus filmes, meus amigos, meus alunos. Àqueles que teimo em dizer que são MEUS. Não como objetos ou propriedades de meu ser. São mais que isso, são companhias valiosas e que a todo momento me fazem falta e me farão toda vez que eu me for ao longe. São pedras preciosas que me fazem mudar e enriquecer os pensamentos.
Hoje é um dia comum. E que aparentemente não teria motivo algum pra atirar o amor publicamente. Mas eu discordo daquela tradição de que a maioria dos seres humanos fazem homenagens aos seus semelhantes, no momento em que estes estão aniversariando ou pior, aos que partiram desta terra. Mas quero aqui, esbanjar esses sentimentos de gratidão e alegria por um amigo simplesmente fantástico.
Ele apareceu como aquelas pessoas que a gente conhece, mas que já faziam parte da nossa vida há muito tempo , sabe?! Pois é, o poeta Raimundo Sodré é exatamente assim.
No decorrer em um intervalo de tempo entre nossas datas de nascimento, teve um fato engraçado e bem curioso que nos uniu.
Minha mãe estudou com a esposa dele, há um tempo atrás no colégio Centro Auxílio. Se conheciam desde esse tempo. Porém, nunca mais tinham tido contato.
E em outubro de 2010, minha irmã conheceu o Sodré nas energias poéticas do arrastão do Pavulagem. Estavam juntos ligados por um amigo em comum deles, o Valber Gaia. O Sodré então percebeu as semelhanças daquela amiga da adolescência e começou a indagar minha irmã, sobre os assados e cozidos do passado da minha mãe, e tudo que ele perguntava , eram positivas as respostas. Foi então que concluiu que era filha de quem achava que era.
Mas antes , no decorrer do arrastão, o Sodré já havia me avistado e também percebeu a semelhança escrachada minha e de minha matriz. Tanto que até achou que eu fosse ela, mas pelo tempo passado e a lei da gravidade, entendeu que seria quase impossível. Ele até queria falar , mas tinha vergonha. E só depois, durante o show, na praça do Carmo nos conhecemos de verdade. Entre uma cerveja e outra, quando eu fui falar com minha irmã, o Sodré estava perto, daí nos conhecemos... E aquele quebra-cabeças todo, foi montado.
Desde então, nossa ligação começou a ser intensificada. Nos encontrávamos e conversávamos sobre tudo um pouco. Ele se tornou meu professor de gramática, meu amigo, meu irmão, e se eu fosse crente em algo superior, me arriscaria a dizer que somos almas irmãs. Daquelas que complementam-se em terra.
Creio mesmo que temos uma ligação forte, que vai além da escrita estonteante que o Sodré desenrola e me faz inspirar a cada leitura, a cada palavra bem soprada ao vento que me traz poesia e sorte. Vai além da alegria e dessa vida. Vai para as artérias do coração e fica por lá movendo a gente. Alegrando a cada lua, a cada contato, a cada sarau, a cada abraço e a cada sorriso compartilhado.
Creio mesmo que temos uma ligação forte, que vai além da escrita estonteante que o Sodré desenrola e me faz inspirar a cada leitura, a cada palavra bem soprada ao vento que me traz poesia e sorte. Vai além da alegria e dessa vida. Vai para as artérias do coração e fica por lá movendo a gente. Alegrando a cada lua, a cada contato, a cada sarau, a cada abraço e a cada sorriso compartilhado.
Post Scriptum: Aos amigos que quiserem conhecer as linhas deste poeta, taí o blog http://raimundosodre.blogspot.com.br/
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Minha cidade chorou.
05h:10 - Terça, 05 de novembro de 2014.
Acordei sem querer para remediar e dar comida aos meus felinos. Olhei para a janela do quarto, clareando aos poucos, iniciando um dia soturno. Sem querer liguei a TV em um canal qualquer, mas não havia nada de interessante. Desliguei.
Continuei sem sono. Liguei o pc e fui parar direto nas redes sociais. Muita notícia ruim. Desespero. Medo. Minha cidade chorosa. Meu país desenganado.
Desliguei.
Deitei incomodada. Não dormi.
Levantei. Olhei a rua. Olhei o céu já claro. Senti uma angústia. Um choro preso.
Senti que se minha cidade, meu país pudessem, mudavam de nome e lugar, com tanta tristeza amarga.
O sorriso da minha cidade não se vê. Têm semblante amedrontado, cabisbaixo, depressivo plantado no asfalto. Nessa madrugada, minha cidade disse que não iria aguentar, e que é tempo de aflição. Chorei junto a ela.
Fiz companhia à cidade. Fiz companhia para ela que tantas vezes me fez sorrir. A ela que já me acolhe a 26 anos e me ama como filha.
Compreendi seu silêncio. Sua dor. Compreendi o valor de sua memória, de suas lágrimas, de seu cansaço.
Apenas a abracei.
Entendi que seu lamento também é dor humana. E que Cidade é gente. Belém é gente. Eu sou gente e também posso lhe acalmar. Mas hoje, apenas nos acariciamos, esperando o mal passar.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Coração doente.
Dói. Sangra. Escorre por dentro. Transborda pelos olhos.
Esses dias me dei conta o quanto sou fraca. É uma fraqueza muda, solitária que não me deixa mover. Apenas chorar!
As misérias da vida, de repente me trancafiaram em um quarto escuro e me deixaram de castigo, pensando.
Sexta-feira encontrei com um gatinho de rua que eu quis levar pra casa, mas não coube na minha bolsa; No sábado, um gato me seguiu até em casa, dei-lhe comida, dormiu na minha cama, mas ele parecia bem cuidado e pela manhã fui procurar o dono e encontrei; No domingo, dois gatos mal tratados , mas aparentemente tinham donos, por causa das coleiras, apareceram na minha janela, mas logo foram embora. ( E como meu coração queria acolher todos eles. )
Também passei por alguns animais doentes pela rua e não pude ajudar. Vi um homem doente na rua e não consegui parar. Apenas desabei a chorar!
Depois da chuva que desabou em mim, comecei a me culpar por eu não poder abrigar esses animais, por eu nem sequer ajudar pela falta de grana. Pois já temos 8 animais e sete deles eram de rua.
Fiquei pensando o quanto de coisas fúteis já comprei. O quanto de coisas sem necessidade gasto dinheiro todos os dias, quando eu poderia utilizar pra ajudar esses animais.
Fiquei pensando o quanto de coisas fúteis já comprei. O quanto de coisas sem necessidade gasto dinheiro todos os dias, quando eu poderia utilizar pra ajudar esses animais.
Em seguida, comecei a sonhar. Comecei a fazer planos do quanto ainda tenho que trabalhar pra poder ajudar meu próximo. Será o meu foco dos próximos dias.
Enxuguei as lágrimas, porque choro só lubrifica os olhos, não ajuda muito.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Dentro do bolso, as memórias.
Dias pra guardar no bolso da camisa, bem perto do peito. Aqueles dias pra eu olhar de perto...
Aqueles dias da infância, em que um jambo verde com sal no alto do jambeiro me fazia tão feliz; aquelas tardes quentes no bairro do Benguí, na rua de piçarra e valas enormes nas quais pescava peixinhos "de aquário".
Aqueles meses de férias na praia do Marahú, na barraca na beira, em que catávamos caramujos nas famosas pedras do final da praia, e comer com o espinho da pupunheira. Lá também pescávamos peixes pra comer, contemplando aquela paisagem maravilhoso;
Aqueles anos de adolescente revoltada, cheia de fôlego no peito , cheia de coisas intermináveis, cheia de amores valentes.
Guardarei no outro bolso, os dias na Vigia de Nazaré. Aqueles dias saudáveis, de aprendizados de vida, de universidade, de campo,de vinho, de amigos, cheios de amor... junto com uma foto da Amanda, claro.
Os meses no Xingu, o grito da Rosa - a arara que eu me apaixonei. As perguntas da Ritinha e do Alan. Todos os rostos dos meus alunos guerreiros de todos os dias. Das pessoas que não me conheciam, mas sorriam todos os dias para mim.Guardarei também os cheiros, os sabores, as lágrimas... pra que eu saiba que os dias passados no meio das coisas miúdas, foram alicerces pra essa Laila aqui estar de pé. Foi a poesia vivida que me encantou, me fez respirar e me faz viver.
E quando essa luz que me faz viver, um dia apagar, vai acender em algum bolso em outro lugar.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
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